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18/07 - Unicamp fica em primeiro lugar no ranking de melhores universidades da América Latina pela 2ª vez seguida
Estudo é feito pela revista britânica Times Higher Education (THE). Brasil tem seis instituições na lista das dez mais bem avaliadas. Vista aérea da Unicamp, em Campinas Antoninho Perri/Ascom/Unicamp A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ficou na primeira colocação no ranking de melhores universidades da América Latina, divulgado nesta quarta-feira (18) pela revista britânica Times Higher Education (THE). A instituição ocupa o topo da lista pela segunda vez consecutiva. Em 2016, primeiro ano que a publicação divulgou os dados, a unidade havia ficado na segunda posição, atrás da Universidade de São Paulo (USP). [veja abaixo as dez primeiras posições] O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, afirmou, em nota oficial, que recebeu a notícia com satisfação e valorizou também a classificação de outras universidades estaduais de São Paulo, como a USP e a Unesp, que ficaram na 2ª e 11ª colocação, respectivamente. "A liderança da Unicamp é resultado do trabalho que toda a comunidade universitária vem fazendo de maneira estruturada há muito tempo", explicou. A terceira colocação do ranking da publicação britânica ficou com a Pontifícia Universidade Católica do Chile. As universidades brasileiras têm boa colocação no estudo e ocupam seis das dez primeiras posições. No total, o país tem 43 instituições representadas em um universo de 129 avaliadas na América Latina e no Caribe. A publicação analisou aspectos das instituições em cinco áreas diferentes: ensino (ambiente de aprendizagem); pesquisa (volume, renda e reputação); citações (influência da pesquisa); perspectiva internacional (pessoal, estudantes e pesquisa); e renda da indústria (transferência de conhecimento). Confira a lista das dez primeiras colocadas: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Universidade de São Paulo (USP) Pontifícia Universidade Católica do Chile Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey Universidade do Chile Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) Universidade de Los Andes da Colômbia Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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18/07 - Após pós-doutorado na Inglaterra, biólogo vira figurante e tenta bico de modelo nu para se sustentar no Brasil
Em 'limbo' profissional, zoólogo voltou ao país para pesquisar com apoio de programa federal que acabou cancelado; hoje, recorre a bicos que não rendem nem 'um salário mínimo por mês'. O zoólogo Rodrigo Rios estudou nos EUA e fez pós-doutorado no Reino Unido; mesmo assim, continua desempregado no Brasil Arquivo pessoal "Não tinha mais nenhum real na conta", lembra o biólogo paranaense Rodrigo Fernando Moro Rios, de 32 anos. Graduado em ciências biológicas, mestre e doutor em zoologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), ele estudou na Universidade de Illinois, nos EUA, e fez pós-doutorado na Universidade Durham, na Inglaterra, em 2015. Ainda é pesquisador associado do Departamento de Antropologia da instituição inglesa, mas, desde que retornou ao Brasil, em 2016, o zoólogo trabalhou como garçom, barman, figurante de filmes, entregador de Uber Eats e se ofereceu para ser modelo nu em cursos de arte. Rios não está sozinho. Assim como o biólogo, muitos jovens doutores brasileiros enfrentam dificuldades de inserção no mercado e vivem num limbo profissional. "Sou forçado a uma série de atividades, de barman a professor de surfe, para muitas vezes conseguir menos que o equivalente a um salário mínimo por mês", diz o cientista. Atualmente, o salário mínimo no país é R$ 954. Investimento Nascido em Cascavel, mas residente em Curitiba, Rios desenvolve estudos sobre primatas modernos. O biólogo dedicou mais de dez anos à sua formação acadêmica, de 2003 a 2015, emendando pesquisas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, com bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). "Vi como um plano de carreira, pois a ciência satisfaz minhas aspirações profissionais. Era um caminho certo, estável. Pensei que poderia atuar como biólogo profissional ou professor, mas, depois que voltei da Inglaterra, isso se provou um erro", conta. Entre o doutorado e o pós-doutorado, ele fez trabalhos técnicos e estudos de impacto ambiental relacionados, por exemplo, a fauna silvestre, mineração e terras indígenas. Antes de retornar ao Brasil, o pesquisador prolongou o estágio pós-doutoral na Universidade Durham: pediu 12 meses de prorrogação, mas obteve seis meses apenas. Seu projeto de pesquisa foi considerado promissor, mas inviável por uma questão técnica. Rodrigo Rios mescla aulas com trabalhos completamente distantes de sua área de formação Arquivo pessoal De volta ao país, cumprindo as regras atuais das agências federais, ele pretendia dar continuidade à investigação científica com apoio do programa Jovens Talentos, voltados para pesquisadores de áreas prioritárias do programa Ciências Sem Fronteiras, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Ministério da Educação. Porém, prestes a se mudar para Florianópolis para realizar essas atividades na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o programa foi cancelado. "Estava tudo certo, mas a bolsa deixou de existir", lamenta. "Fiquei muito inseguro. A rede de contatos para consultoria ambiental, que eu tinha construído antes, começou a se desmanchar. Não tinha informações sobre outros pós-doutorados. Não tinha concursos abrindo." Rios conseguiu contratos temporários como professor visitante em universidades particulares paranaenses, como a Faculdade Assis Gurgacz (FAG), em Toledo, e a Uniamérica, em Foz do Iguaçu, ministrando cursos de curta duração. Atualmente associado como pesquisador à Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, e à Universidade Durham, continua atuando como cientista, oferecendo cursos de extensão, orientações e palestras, sem receber remuneração ou ajuda de custo. Segue ainda escrevendo artigos para publicações acadêmicas, que contam pontos nos processos seletivos para docente de ensino superior, e está escrevendo um livro de biologia intitulado Longas Caminhadas, Sombra e Água Fresca: As Raízes Evolutivas de Nosso Bem-estar. "Estou mandando currículo para tudo que é lado, procurando várias opções de área para não perder nenhuma oportunidade." Bicos Sem oportunidades na área em que se especializou, Rios teve de buscar outras alternativas para se sustentar. "No fim do ano passado, não tinha disciplina para dar, não tinha consultoria. Não tinha dinheiro. Morava sozinho desde o fim da graduação; agora, voltei para a casa da minha mãe. Eu tenho uma mãe e um teto – sei que tem gente não tem nem casa nem família, mas não penso que é papel dela ficar me sustentando a essa altura", considera. Foi neste contexto que o pesquisador passou a fazer freelance como barman num bar de Curitiba, entregar encomendas via Uber e dar aulas de surfe na Ilha do Mel, no litoral paranaense. Também tentou dar aulas de inglês num cursinho e se inscreveu para uma vaga de secretário em uma empresa de engenharia. O biólogo encontrou espécie de arraia que achou em poça na Praia Brava, em Arraial do Cabo Arquivo pessoal No meio tempo entre as disciplinas ministradas, que duram apenas uma ou duas semanas, ele continua contando com "bicos". "Já fiz, ou busco fazer, um pouco de tudo desde que defendi minha tese, fora lecionar, publicar e orientar. Fui figurante de cinema, graças a um colega meu, também doutor em zoologia, que virou câmera. Outro colega, que trabalha com marketing digital, está fazendo curso de pintura. Precisa de modelo? Topo. Afinal, mesmo doutores, às vezes a gente não ganha R$ 100 por quatro horas (de trabalho)", relata. Rios se dispôs a posar nu para um curso de pintura, mas ainda não acertou a data. O último trabalho artístico do biólogo foi uma figuração para uma série investigativa gravada em Curitiba, na qual desempenhou três papéis diferentes num bar: "Um fingia que estava tomando uma cachaça lendo o jornal; outro estava com a namorada na mesa; outro estava conversando com um amigo no balcão. Ganhei R$ 80 por cerca de 11 horas de trabalho". Em meados de junho, o pesquisador levou uma turma de alunos do Centro Universitário Campos de Andrade (Uniandrade) para trabalho de campo, parte de um curso de método de inventário de fauna, que ensina técnicas para posicionar armadilhas de pequenos mamíferos, montar pontos de observação e reconhecimento de rastros de animais. "São altos e baixos. Fico animado com a interação com os alunos, é o que me motiva. Mas fico ressabiado porque várias vezes não deu certo (a contratação nas universidades). Não desconsidero nada. Sabe aquele negócio 'fazer minha arte e vender na praia'? Sei fazer camiseta com técnica de estêncil, talvez faça para levar a uma feirinha de Curitiba." O biólogo não menospreza outras ocupações, mas afirma que seu potencial está sendo subutilizado nos trabalhos informais. "Uma subutilização de tanto investimento, tanto dinheiro público, tanto tempo e dedicação para se formar um cientista que vai para outra atividade porque não tem inserção no mercado. É horrível pensar que todo esse investimento não serviu para nada." Competitividade Neste ano, o biólogo ministrou a palestra "Seria a Natureza Humana Competitiva?" para estudantes na UFPR e na UNILA. "A natureza é competitiva, mas também é cooperativa e empática. Se há desequilíbrios na competição, rompem-se as relações essenciais da cooperação. Como fenômeno biológico, a competição é relacionada à disponibilidade de recursos. Menos recursos, mais pressões, o que leva a interações negativas. Isso acontece no mundo natural, e está acontecendo no mundo acadêmico. É a lógica do ditado: se a farinha é pouca, meu pirão primeiro", comenta. "Não concordo com a ideia: 'se você tentar ser forte o suficiente, você consegue e o resto é mimimi'. Não é assim que funciona, ou que deveria funcionar." Participando de processos seletivos para instituições de ensino superior, o pesquisador também enfrenta dificuldades com a concorrência acirrada. Segundo sua leitura, muitos editais são ambíguos e complexos, por falta de informação ou de transparência nas seleções. "Além disso, preciso botar na ponta do lápis o quanto custa para viajar para prestar concurso. Deixei de ir a uma seleção em outro Estado, pois o edital previa a prova escrita num dia e a prova didática dois meses depois. Cada viagem custaria mais de R$ 2 mil, é totalmente inviável. Outros processos só aceitam inscrição presencial e não tenho condições, não tenho R$ 500 para viajar a outra cidade só para me inscrever. Atualmente, só tenho gastos tentando encontrar trabalho", diz. Para aprimorar o currículo para as seleções, o pesquisador diz que está priorizando periódicos acadêmicos que contam mais pontos nas avaliações. "A gente entra em uma lógica de produtividade a qualquer custo, para ter uma voz maximizada pelos números e não necessariamente pela relevância ou pelo interesse científico", diz. "Sempre pesquisei macacos, mas tive a sorte de encontrar uma espécie de arraia em uma poça de maré na Praia Brava, de Arraial do Cabo (RJ). Nós, biólogos, sempre olhamos para os bichos à nossa volta. Sete anos depois dessa viagem, postei essas fotos e uma amiga especialista na área me procurou, dizendo que eu tinha registrado um episódio raro e de muito interesse científico. Não é minha área, mas estou escrevendo um artigo para a revista Fish Biology, de alto fator de impacto", exemplifica. As pressões sobre jovens doutores brasileiros também envolvem a imagem de "eterno estudante", que se resume na máxima "só estuda, não trabalha". "Ouvi outro dia em uma reunião profissional: 'você tem 32 anos, veja só, doutor, pós-doutor, nunca trabalhou, não?' Me surpreende que as instituições não considerem um pesquisador como um profissional. Sou cientista, é claro que estou sempre estudando", responde. "Lemos notícias sobre os níveis de ansiedade e depressão no doutorado, e depois do doutorado? As pressões podem ser bastante perigosas para a saúde mental dos acadêmicos. Tivemos um desenvolvimento sem precedentes na formação de doutores nos últimos anos no Brasil, mas que não foi acompanhado por uma compreensão sobre o papel desses doutores depois de formados", adiciona o biólogo. Segundo um estudo publicado recentemente na Nature Biotechnology, por exemplo, os pós-graduandos têm seis vezes mais chance de desenvolver depressão e ansiedade do que a população geral. Em busca de outros projetos e oferecimento de cursos, Rodrigo teme desistir de vez da ciência. "Não tenho nada fixo e não sei como vai ser amanhã. Se nada der certo, vou trabalhar num cruzeiro, vou tentar dar mais aulas de surfe, vou viver a vida. Fazer o quê?"
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17/07 - UnB divulga segunda chamada do vestibular; veja como acessar lista
Edital foi divulgado nesta terça. Estudantes devem confirmar vaga até 24 de julho. Tiago passou no vestibular 2018 da UnB, em Brasília Brena Silva/G1 A Universidade de Brasília (UnB) divulgou nesta terça-feira (17) a segunda chamada do vestibular 2018. Os nomes dos 407 estudantes foi publicado em um edital. Os selecionados devem confirmar a vaga até o dia 24 de julho. Calendário A universidade esclarece que o aluno precisa ficar atento aos prazos para o registro acadêmico. De 18 a 23 de julho, o candidato deve enviar, pela internet, os documentos solicitados na agenda do calouro. No dia 24 de julho, o estudante precisa comparecer a um dos locais indicados na mesma agenda para fazer o resgistro acadêmico pessoalmente. A aula inaugural do segundo semestre da Universidade de Brasília está prevista para o dia 15 de agosto. Segunda chamada UnB Edital com nomes Envio de documentos: de 18 a 23/07 Registro acadêmico: 24/07 Informações: Central de Atendimento ao Candidato do Cebraspe De segunda a sexta, das 8h às 19h – Campus Darcy Ribeiro Telefone: (61) 3448-0100 Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.
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17/07 - UFCG divulga terceira chamada da lista de espera para o período 2018.2
Candidatos convocados nesta chamada precisam fazer cadastramento ainda essa semana. Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) divulgou a terceira chamada da lista de espera. Marinilson Braga/UFCG A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) divulgou na tarde desta terça-feira (27) a terceira chamada da lista de espera, através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para o príodo letivo 2018.2. Nesta terceira chamada estão sendo convocados 303 candidatos. Confira a terceira chamada da UFCG 2018.2 Os candidatos que foram convocados nesta chamada precisam fazer um cadastramento nesta quinta-feira (19) ou sexta-feira (20). O procedimento precisa ser feito na coordenão do curso que o candidato foi classificado. O atendimento funciona das 8h às 11h e das 14h às 17h. Esse cadastramento é obrigatório para que o aluno garanta a vaga na UFCG. Esse procedimento só pode ser feito de forma presencial e pelo candidato, ou procurador legalmente constituído. A UFCG alerta que o cadastramento e diferente da matrícula. Primeiro é preciso fazer o cadastramento para confirmar o interesse na caga. Depois é preciso fazer a matrícula para definir as disciplinas. Confira os documentos necessários para fazer o cadastramento e matrícula. A matrícula em disciplinas dos alunos ingressantes também é obrigatória e deverá ser realizada no dia 15 de agosto, na coordenação do curso para o qual foi selecionado. As aulas do período 2018.2 estão marcadas para começar no dia 20 de agosto. Outras chamadas Ainda de acordo com a UFCG, para esse período ainda estão previstas até sete chamadas para os inscritos na lista de espera para cursos da UFCG. Essas chamadas ocorrem conforme a existência de vagas. Cada uma delas respeita a classificação para vagas de ampla concorrência e as reservadas para cotas.
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17/07 - As inscrições misteriosas encontradas em folhas de palmeira em uma língua que ninguém consegue identificar
Os manuscritos, encontrados em coleção de documentos antigos em biblioteca na Índia, escritos majoritariamente em sânscrito, intrigam linguistas; acadêmico diz que documentos podem ser do século 16, da época do Império Vijayanagara. Uma biblioteca indiana na cidade de Chennai tem quatro manuscritos em folhas de palmeira em uma linguagem não identificada Government Oriental Manuscripts Library Uma inscrição antiga, em uma língua que ninguém consegue identificar, está entre os mais de 70 mil manuscritos recolhidos de diferentes lugares na Índia e que fazem parte do acervo da Biblioteca de Manuscritos Orientais do Governo, na cidade de Chennai, no sul do país. Não há informações sobre a origem desse obscuro e antigo manuscrito, escrito em folhas de palmeira. "Não temos registro deste documento. Ele fazia parte da coleção quando a biblioteca foi aberta em 1869", diz o bibliotecário Chandra Mohan. "Nossa biblioteca abriga 50.180 inestimáveis manuscritos em folha de palmeira, 22.134 em papel e 26.556 livros de referência." Destes todos, mais de 49 mil são escritos em sânscrito (lígua ancestral da Índia e Nepal), e outros 16 mil, em tâmil, uma língua falada no sul da Índia. Muitas das preciosas folhas de palmeira e placas de cobre do acervo da biblioteca vêm das coleções particulares do engenheiro escocês Colin Mackenzie, o primeiro topógrafo-geral da Índia, cargo criado em 1815, nos tempos em que o país asiático fazia parte do Império Britânico. O coronel Mackenzie chegou a Índia em 1783, e tinha um grande interesse em matemática e idiomas. "Ele conseguiu que alguns de seus funcionários viajassem por todo o país, especialmente o sul, para coletar esses manuscritos", disse Mohan durante uma entrevista ao jornal The Hindu. Ele reuniu obras de literatura, história, medicina e natureza - pertencentes a diferentes períodos. Na biblioteca Mackenzie morreu em 1821 e sua coleção foi comprada pela Companhia das Índias Orientais. A coleção foi agrupada em três e uma parte foi enviada para Chennai, no sul da Índia. Dois outros oficiais da empresa, C.P. Brown e T. Foulkes, também tinham sua própria coleção. Alguns dos manuscritos reunidos no local estão em diferentes línguas, incluindo telugo Government Oriental Manuscripts Library Um professor de sânscrito da Universidade Presidency, de Calcutá, identificado apenas como Pickford, teve o papel crucial de reunir todos esses documentos sob um mesmo teto. Mas esse teto continuou mudando e, mais recentemente, a biblioteca foi transferida do campus da Universidade de Madras para o sétimo andar da Biblioteca Anna Centenary, em Chennai. A biblioteca abriga manuscritos em várias outras línguas, incluindo telugu (falado na Índia), urdu (Paquistão, Bangladesh e partes da Índia e Nepal) e persa. Acadêmicos de todo o mundo - uma média de 90 por dia - visitam a biblioteca para estudar as informações contidas nos documentos. Possíveis conexões do século 16 Um desses estudiosos, que visitou a biblioteca em 2008, encontrou este manuscrito não identificado. "Ele acreditava que os manuscritos vieram de Karnataka e provavelmente pertenciam ao período de Krishnadevaraya", diz Chandra Mohan. Krishnadevaraya era um guerreiro do século 16 que governou o antigo Império Vijayanagara, uma monarquia hindu do sul da Índia, por cerca de duas décadas. O bibliotecário diz que não há como confirmar a teoria do estudioso. O bibliotecário Chandra Mohan pede ajuda de acadêmicos para decifrar o documento Government Oriental Manuscripts Library O manuscrito não identificado é distribuído em quatro páginas - e está na sala de exibição da biblioteca. Chandra Mohan diz: "Em 1965, publicamos um anúncio em um jornal regional e pedimos a linguistas e acadêmicos para nos ajudar a identificar a inscrição, mas não obtivemos qualquer resposta". Um visitante poderia ajudar a decodificá-lo? A biblioteca está agora empenhada em preservar o manuscrito. A esperança é que um visitante o decodifique um dia. Uma combinação de métodos químicos e manuais está sendo usada para evitar a deterioração do documento. "A cada três meses, usamos óleo de capim-limão e óleo de citronela para preservar as cópias", diz Mohan. "Também incorporamos a tecnologia moderna e agora plastificamos vários documentos, além de nossos esforços em digitalização e transcrição." O governo do Estado de Tamil Nadu concedeu à biblioteca US$ 45 mil para modernizar e digitalizar seu conteúdo. O processo de recuperação do documento provavelmente o tornará mais fácil de ler. Mas isso poderia levar à sua identificação? "Talvez, em algum momento no futuro, um acadêmico possa nos fornecer mais informações sobre esse manuscrito. Ou então todas as informações serão perdidas."
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17/07 - Grupo de doutores quer mudar regra que obriga bolsista do governo a voltar ao Brasil: 'Não é fuga de cérebros'
Acadêmicos defendem outras formas de devolver o investimento ao país, como ajudando a ciência brasileira à distância. Pedro (nome fictício) fez doutorado na França, onde recebeu uma proposta de emprego. Foi obrigado a recusar a oferta para retornar ao Brasil e cumprir o período de "interstício", que se refere à temporada de permanência obrigatória de ex-bolsistas no país após a conclusão dos estudos no exterior. Está desempregado. Giovana (nome fictício) faz especialização na Inglaterra e, após a defesa da tese, deverá voltar ao Brasil a fim de cumprir as regras da agência federal de fomento, afastando-se de seu marido europeu e de seus três filhos. As histórias reais de Pedro e Giovana são citadas como exemplos no abaixo-assinado lançado por pesquisadores brasileiros, em fevereiro, que reivindicam revisão e flexibilização das regras atuais que obrigam ex-bolsistas a retornar ao país. Entre os signatários estão integrantes do Programa-Piloto para a Mobilidade de Profissionais Brasileiros Altamente Qualificados: Brasileiros pelo Avanço da Internacionalização do Conhecimento - Brain (que significa "cérebro" em inglês), uma rede de 158 bolsistas e ex-bolsistas de doutorado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A articulação do Brain começou a partir de um grupo de pesquisadores brasileiros no Facebook. Em agosto de 2017, eles fizeram uma das primeiras reuniões por videoconferência, iniciando a elaboração de propostas para apresentar alternativas ao CNPq e à Capes em relação ao retorno obrigatório ao país. "Não se trata de uma "fuga", mas uma circulação de cérebros", define Gilvano Dalagna, de 37 anos, que faz parte da diretoria do Brain. 'Queremos retribuir com a moeda que consideramos mais valiosa: nosso trabalho', diz Gilvano Dalagna, que vive em Portugal Arquivo Pessoal Segundo os integrantes do grupo ouvidos pela BBC News Brasil, a obrigatoriedade de retorno ao país muitas vezes implica a recusa de propostas de trabalho e oportunidades de pós-doutorado no exterior. Além disso, os pesquisadores criticam a ausência de programas para reinserir os recém-doutores no mercado no Brasil – uma situação agravada pelo atual contexto econômico e por cortes no orçamento para a educação. A posição do grupo não é, no entanto, unanimidade dentro da academia. O biólogo Marcelo Hermes-Lima, de 53 anos, professor do Laboratório de Radicais Livres da Universidade de Brasília (UnB), discorda dos argumentos do Brain. "É óbvio que eles devem voltar. Eles assinaram um contrato (com as agências de fomento). O povo brasileiro está pagando a educação deles. Então, é hora de ser adulto, cumprir o compromisso e voltar ao país. Eles devem crescer. Não compartilho dessa visão 'choramingosa' da comunidade científica", critica. Como funciona hoje – e o que o grupo defende Segundo as regras atuais, os ex-bolsistas da Capes devem regressar ao país até 60 dias após a defesa de suas teses; para o CNPq, o prazo é de 30 dias. Nos dois casos, os ex-bolsistas devem residir novamente no Brasil por um período mínimo equivalente à estadia no exterior (um pesquisador que morou quatro anos fora, por exemplo, deverá passar quatro anos, no mínimo, no território brasileiro). Se não retornarem ou não permanecerem o tempo previsto no país, ex-bolsistas estão sujeitos a processos administrativos e deverão devolver os valores recebidos pelas agências. E, se não devolverem, serão cobrados judicialmente a partir da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU) – a dívida pode ultrapassar R$ 300 mil. Entre 2013 e 2017, 10.206 brasileiros foram contemplados com bolsas de doutorado pleno no exterior pela Capes, que não possui dados sobre quantos doutores deveriam ter retornado no último ano. No mesmo período, 1.336 brasileiros receberam bolsas de doutorado no exterior pelo CNPq, que tampouco possui informações sobre a expectativa de retorno. A proposta do Brain, de acordo com os integrantes ouvidos pela BBC Brasil, é apresentar uma alternativa de ressarcimento dos investimentos feitos na formação desses jovens doutores, que continuariam a contribuir com a ciência brasileira a distância. Eles também pedem mais flexibilidade e transparência das agências na avaliação de seus pedidos de adiamento de interstício, uma autorização para prolongar a estadia no exterior. Daniela Machado conta que a Capes topou conversar com o grupo. Arquivo pessoal Entre os participantes do Brain estão doutores (27,4%) e pós-graduandos prestes a concluir seus doutorados até 2019 (72,6%), de diversas áreas do conhecimento. Espalhados na Europa (84%), América do Norte (15%) e Austrália (1%), eles realizam assembleias periódicas por videoconferência. Os integrantes enfatizam que reconhecem a necessidade de retribuição à ciência brasileira e admitem que as agências têm direito de exigir contrapartidas pelos investimentos feitos. Ao mesmo tempo, argumentam que é preciso repensar o formato das contrapartidas. "Reconhecendo que tivemos apoio fundamental para nossa formação, queremos retribuir com a moeda que consideramos mais valiosa: nosso trabalho. O desenvolvimento intelectual foi o que nos trouxe até aqui e é a partir dele que queremos retribuir ao país. Isso não quer dizer que precisamos estar fisicamente no Brasil", diz Gilvano Dalagna. Graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ele fez o doutorado na Universidade de Aveiro, Portugal, com apoio da Capes. Em 2012, estudou na University College London (UCL), Inglaterra, como parte do programa Erasmus Mundus. Após a conclusão do doutorado, em 2016, ele voltou ao Brasil por apenas um mês: como recebera convites para participar de projetos e lecionar na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculos do Porto, ele interrompeu o interstício e voltou a Portugal. Radicado em Aveiro, ele ministrou cursos online e prestou consultoria para programas de pós-graduação de universidades brasileiras. Como exemplos de contribuição a distância, cita a possibilidade de ocupar posições estratégicas como "embaixadores" de universidades brasileiras, liderando projetos internacionais e promovendo intercâmbio para pesquisadores brasileiros. 'É como se não importasse se você passa os dias dormindo e assistindo Netflix desde que esteja no território brasileiro', reclama Déborah Lima. Arquivo pessoal 'Qual é a lógica de voltar ao país em perspectiva?' Integrante do Brain desde o início, a pesquisadora mineira Déborah Maia Lima, de 47 anos, deve concluir o doutorado em dança na Universidade de Quebec em Montreal (UQAM), no Canadá, até o fim do ano. De lá, mantém colaborações com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), a UnB e a Universidade Federal do Rio Grande do Rio (UFRGS). "Não queremos privilégio ou 'fugir' do Brasil. Queremos uma mudança de paradigma: abandonar a ideia de "fuga" de cérebros (brain drain), que é da década de 1960, para pensar a atualização da política das agências de fomento para a inserção internacional e a globalização do conhecimento", diz. Titulados recentemente, os jovens doutores do Brain não têm vínculo empregatício no Brasil. Segundo relatos, muitos ex-bolsistas estão sendo forçados a abandonar as áreas de especialização ao regressar ao país, por não conseguirem ingressar no mercado, seja nas universidades públicas seja na iniciativa privada. "O governo investiu uma quantia gigantesca de dinheiro nas nossas formações e somos imensamente gratos. Devemos retribuir ao povo brasileiro com desenvolvimento científico e inovação tecnológica. Assim, qual é a lógica de voltar ao país sem perspectiva e muitas vezes num subemprego?", questiona Lima. "Para as agências, é como se não importasse se você passa os dias dormindo e assistindo Netflix desde que esteja no território brasileiro. Isso é poder contribuir com a ciência? Não seria melhor ter esses jovens pesquisadores brasileiros transitando e internacionalizando a educação do país?", conclui. A pesquisadora Clarissa Justino de Lima, de 27 anos, também integra o movimento, mas não pretende prolongar sua estadia no exterior. Quer voltar ao país em maio de 2019, após a conclusão de seu doutorado em engenharia civil na Universidade Técnica de Delft (TU Delft), Holanda. O plano é procurar um pós-doutorado no Brasil, mas ela está pessimista diante das disputadas vagas. "Essa falta de oportunidades impede que o ex-bolsista gere conhecimento e inovação. Assim, a sociedade deixa de receber um retorno do montante de dinheiro público investido na formação dele. O ex-bolsista também perde, pois após anos de preparação e profissionalização, se vê obrigado a atuar em campos completamente diferentes do seu, apenas para conseguir se sustentar", diz. Clarissa Justino quer voltar ao Brasil, mas teme falta de oportunidades. Arquivo pessoal Caso a caso Em outubro de 2012, a Capes publicou uma portaria que previa a possibilidade de liberar a obrigação de retorno de ex-bolsistas, a partir de critérios de "desempenho de atividades técnico-científicas relevantes". Um mês depois, porém, ela foi revogada. "A Capes não é uma agência de viagens", comenta o filósofo e professor da USP Renato Janine Ribeiro, que foi diretor de avaliação da agência entre 2004 e 2008 e ministro da Educação entre abril e outubro de 2015. Para ele, é preciso ter regras claras e responsabilidade de retorno de ex-bolsistas. "Entendo, e autorizei em 2015, que alunos que recebem de entidades do exterior auxílios e bolsas para prolongarem sua permanência fora do país possam ter seu pedido aceito. Mas isso representa apenas um adiamento de sua volta, não uma política sistemática na qual o Brasil passaria a apoiar o estabelecimento de tais doutores no exterior, financiando assim universidades e institutos de pesquisa de países ricos", diz. Em 2015, a equipe do então ministro foi procurada por um astrofísico que fazia pós-doutorado na França. O estudo do pesquisador, considerado de ponta, atraiu a atenção da faculdade francesa que o convidou, mediante cartas assinadas, a continuar ali por dois anos adicionais. A pesquisa necessitava de uma tecnologia disponível na instituição estrangeira, que manteria integralmente o pesquisador visitante, "a custo zero para o Brasil", lembra Janine. Assim, frisa o filósofo, o astrofísico não estava se negando a retornar ao país, mas pedindo adiamento do interstício. Ele foi favorável à autorização, que acabou aprovada pela Capes. "Se a volta do pesquisador não permite que ele continue a desenvolver sua pesquisa com a mesma capacidade e fluência que teria se continuasse na instituição estrangeira, não faz sentido seguir uma norma que prejudica a ciência. Seria como se o Estado sabotasse o próprio Estado (e a ciência)", diz Janine. Tentativas frustradas Em outubro de 2016, a Capes publicou uma nova portaria que flexibilizou a regra de retorno. Para permanecer no exterior, o pesquisador deveria submeter um novo projeto de pesquisa, designado "novação", a ser avaliado por três especialistas. Em agosto de 2017, a norma foi revogada. No meio tempo, 74 dos 76 projetos submetidos foram reprovados. Uma das negativas foi ao projeto de Julia Salles, de 36 anos, que deve concluir o doutorado no departamento de comunicação na UQAM, no Canadá, até setembro. Mestre em arte contemporânea e novas mídias pela Universidade de Paris 8, Julia faz parte de um programa de pós-graduação que integra outras duas instituições canadenses. "Faço pesquisa em uma universidade, dou aula em outra, sou aluna em outra", diz ela, que desenvolve documentários para internet. "Tenho um pé na indústria criativa, outro na academia." O projeto de "novação" da autora incluía uma coprodução Brasil-Canadá para um projeto de realidade virtual, com investimento recebido do SP-Cine e de um fundo canadense; um projeto intitulado Brazil Hub, no laboratório Sense Lab da Universidade Concordia, em Montreal; e um núcleo de pesquisas na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) que incluía congressos e cursos de curta duração no Brasil. Doutoranda no Canadá, Julia Salles teve duas propostas de adiamento do retorno recusadas. Louise Ducamin O primeiro pedido foi negado, segundo a interpretação da autora sobre o parecer, por falta de informações sobre o valor monetário das atividades. Para o segundo pedido, ela adicionou um orçamento evidenciando a movimentação financeira dos projetos (ela recebera cerca de 100 mil dólares canadenses de bolsa; as atividades envolveriam mais de 200 mil dólares canadenses em benefício brasileiro). O projeto foi reprovado. Conversas Após a revogação da portaria da Capes, o Brain começou a se articular, buscando diálogo com as agências e apoio de associações, como a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e a Associação de Brasileiros Estudantes de Pós-Graduação e Pesquisadores no Reino Unido (ABEP-UK). A bióloga Daniela Machado, de 32 anos, mestre pela Fiocruz e desde dezembro doutora pela Escola Normal Superior de Lyon, na França, é uma das diretoras do grupo que participa desses diálogos. Ela conta que a Capes aceitou ouvir as propostas do Brain. Foram feitas duas reuniões por videoconferência em abril e maio. Os pesquisadores pediram para participar do grupo de trabalho constituído por representantes da Capes e consultores para discutir a "novação". Procurada pela reportagem, a entidade afirma que tem mantido um "diálogo aberto" com o movimento, "ponderando as demandas e levando em consideração o ponto de vista dos bolsistas e ex-bolsistas". De acordo com os integrantes do Brain, o CNPq não respondeu às mensagens encaminhadas ao presidente e a duas coordenações de projetos internacionais. "O CNPq não tem conhecimento desta iniciativa, mas parece ser uma iniciativa interessante, pois a internacionalização da ciência é bandeira do CNPq", afirmou à BBC News Brasil o presidente do conselho, Mario Neto Borges. Segundo ele, a nova diretoria já analisou o assunto e decidiu a favor da flexibilização. Trata-se da recente resolução normativa 007/2018. "O fundamento principal desta flexibilização se baseia no fato de que o pesquisador, que por justa razão quiser permanecer no exterior, pode contribuir com o Brasil por meio das atividades propostas no termo da novação. Melhor assim que ser obrigado a voltar ao Brasil sem condições de exercer sua nova qualificação", conclui.
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16/07 - O enigma dos livros venenosos encontrados em uma biblioteca da Dinamarca
Obras dos séculos 16 e 17 tinham em sua capa pigmentos de arsênico, uma das substâncias mais tóxicas que existem; pesquisadores explicam por que esse veneno pode estar presente em museus e coleções antigas. Pesquisadores encontraram três livros cobertos de veneno na biblioteca da Universidade do Sul da Dinamarca Kaare Lund Rasmussen/SDU Quando pesquisadores dinamarqueses encontraram três livros cobertos de veneno na biblioteca da Universidade do Sul da Dinamarca (SDU), evocaram diversas teorias conspiratórias: seriam as obras parte de um plano assassino, assim como o livro envenenado por um monge do romance "O nome da rosa" (de Umberto Eco, 1980) que acabou matando todos os seus leitores? Os livros dinamarqueses em questão são duas obras de história e uma biografia de personagens religiosos, os três datados entre os séculos 16 e 17. E os pesquisadores se surpreenderam ao descobrir que as capas dos três livros continham o mesmo elemento químico: arsênico, uma das substâncias mais tóxicas que existem e cujo envenenamento pode causar - dependendo da quantidade e da duração da exposição - desde irritação estomacal e intestinal, náusea, diarreia, lesões de pele e problemas pulmonares até câncer e morte. E seu poder de envenenamento não diminui com o passar dos anos. Mas, ao analisar os livros dinamarqueses, os pesquisadores concluíram que sua toxicidade provavelmente se deve a algo mais prosaico do que um complô mortífero. Para Jakob Holck e Kaare Lund Rasmussen, respectivamente bibliotecário e professor de Física, Química e Farmácia na SDU, que descobriram e estudaram os livros, é provável que em algum momento dos séculos 16 e 17 alguém tenha pintado as capas dos livros com um pigmento verde que continha arsênico, cuja toxicidade só foi descoberta na segunda metade do século 19. Descoberta por acaso Holck explica à BBC News Mundo que descobriu por acaso que os livros eram venenosos, enquanto estudava os textos, suas folhas e sua encadernação. A encadernação, em particular, era feita de pedaços de manuscritos medievais adaptados para servirem como capa do livro. "O mais provável é que (esses manuscritos) fossem documentos da Igreja Católica. Continham, entre outras coisas, (textos sobre) a lei canônica e a lei romana", diz Holck. Mas os especialistas vinham tendo dificuldade em analisar os textos porque eles estavam recobertos de uma pintura verde. Depois de um teste de laboratório, acabaram descobrindo que esse pigmento verde era feito de arsênico. "Por sorte, nós havíamos manuseado os livros com muito cuidado antes mesmo de saber sobre o arsênico", conta Holck. Acredita-se que ninguém mais tenha tocado nessas capas nos últimos anos, uma vez que elas estavam armazenadas e não haviam sido catalogadas eletronicamente. O poder de envenenamento dos livros não diminui com o passar dos anos Jakob Holck/SDU Verde Paris Em artigo escrito para a revista acadêmica The Conversation, no qual revelaram sua descoberta, Holck e Rasmussen apontaram que o pigmento verde venenoso usado nas capas era provavelmente "verde Paris" - um pó cristalino cor de esmeralda que era amplamente usado no passado, por ser durável e facilmente fabricado. Na Europa, no começo do século 19, esse "verde Paris" chegou a ser produzido em escala industrial, vendido por exemplo como tinta para pinturas impressionistas e pós-impressionistas. Isso significa, portanto, que muitas peças hoje abrigadas em museus ou livros de coleções antigas contêm pigmentos de arsênico e outros elementos químicos, algo "desafiador" para seu estudo e armazenamento, agrega Holck. Embora o pigmento venenoso fosse comumente aplicado para fins estéticos, inclusive para decorar capas de livros, os pesquisadores da SDU acreditam que as três obras recém-descobertas na Dinamarca tenham sido pintadas por outro motivo. Como o pigmento verde estava em apenas parte das capas, os pesquisadores acham que o objetivo original dos encadernadores era protegê-las de insetos e vermes. Protegidos Atualmente, as três obras estão catalogadas na coleção da biblioteca da SDU e não representam perigo de envenenamento. "Os livros agora estão guardados em um armário ventilado e só podem ser tocados com luvas especiais", diz Holck. A ventilação especial se deve ao fato de o arsênico ser perigoso não apenas ao ser tocado, mas também inalado: sob determinadas condições, ele pode se transformar em um gás altamente tóxico, com um cheiro que lembra o do alho. Isso pode explicar, segundo Holck e Rasmussen, as terríveis e misteriosas histórias de mortes de crianças dentro de quartos com papéis de parede verde na Era Vitoriana, ainda no século 19. E o que fazer, então, com todas as demais obras acadêmicas e artísticas que podem conter arsênico ao redor do mundo? Ninguém sabe ao certo. "Que eu saiba, não há estatísticas a respeito", diz Holck.
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16/07 - Enem e Copa: estudantes contam como equilibraram os estudos e o lazer neste período
Os jogos da seleção brasileira foram citados como um dos motivos para a procrastinação no 1º semestre. Estudantes contam como equilibraram os estudos no mês da Copa do Mundo Em época de férias é comum diminuir o ritmo dos estudos, principalmente se, no mesmo mês, ainda tiver Copa do Mundo. Em alguns momentos do mundial, foi possível reunir os dois objetivos: sabia que tem conceito de física no gol do Brasil no mundial da Rússia que pode cair no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018? Mas nem sempre foi assim. O G1 conversou com um grupo de estudantes do Cursinho da Poli que contou como foi mesclar os estudos com o jogos da Copa. (veja no vídeo acima) Para os vestibulandos, é importante ter um equilíbrio entre estudos e lazer. “Acho que tem que ter alguma distração. Porque você só ficar estudando, você fica louco e uma hora não vai”, conta Pedro, que quer fazer agronomia. "Quando assistia aos jogos com os amigos, perdia o dia todo de estudo. Quando assistia em casa, se o jogo era de manhã, conseguia estudar à tarde, se o jogo era à tarde, estudava de manhã. (...) Não adianta você estar assistindo ao jogo com a cabeça em outro lugar, ou você se concentra e estuda, ou você assiste ao jogo”, conclui Pedro. O estudante Eliezer de Paula Pereira Filho, de 18 anos, irá prestar o Enem pela primeira vez e até tentou estudar em casa, mas, por morar em condomínio, teve mais dificuldades de concentração por causa do barulho dos vizinhos. "Todo mundo comemora, faz barulho, e você acaba não conseguindo estudar direito. Então, nos jogos do Brasil, principalmente, eu não fazia nada, eu aproveitava", conta Eliezer. Nadia Mara e Pedro contam que é importante ter um cronograma de estudos para não sair do foco Marcelo Brandt/G1 A estudante Nádia Mara conta que assistir à Copa é um tempo perdido, mas que não resistiu a acompanhar a seleção brasileira. Ela até ficou aliviada com a eliminação precoce do Brasil. “Para mim foi até legal o Brasil ter perdido, eu estava perdendo tempo assistindo ao jogo. Estava feliz por ver a partida, mas ficava com aquele peso na consciência, porque eu poderia estar estudando. São 90 minutos, a quantas aulas eu poderia estar assistindo nesse tempo?”, questiona Nádia. Neste segundo semestre, os estudantes, além de voltarem com o foco total para o Enem, também cuidam da parte emocional para uma melhor concentração durante a prova. “Comecei a fazer psicanálise e está me ajudando em várias outras coisas que eu nem imaginava que precisava de ajuda. Então, esse ano, pela primeira vez, eu estou pensando que realmente é só uma prova”, conta Henrique Dias, que irá tentar vaga em medicina. Eliezer e Henrique Dias contam que ter uma boa saúde mental é fundamental para ir bem na prova (da esq. para dir.) Marcelo Brandt/G1 “Eu também estou passando no psicólogo porque tenho muita ansiedade. Antes da prova, a ansiedade bate forte e me dá até tremedeira. Para você ter noção, eu chego de 2 a 3 horas antes ao local da prova, para ter certeza que não vou me atrasar”, complementa Nadia Mara. Calendário Enem 2018 Primeira prova: 4 de novembro - 45 questões de linguagens, 45 de ciências humanas e redação. Duração: 5h30 Segunda prova: 11 de novembro - 45 questões de ciências da natureza e 45 de matemática. Duração: 5h (30 minutos a mais do que em 2017) Abertura dos portões: 12h Fechamento dos portões: 13h Início das provas: 13h30 Encerramento das provas: 19h (primeiro dia) e 18h30 (segundo dia)
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16/07 - Prouni 2018: resultado da 2ª chamada está disponível
Selecionados devem comprovar as informações das inscrições entre esta segunda até o dia 23 de julho. Prouni: resultado da 2ª chamada já pode ser consultado Reprodução A lista de aprovados na segunda chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni) do segundo semestre de 2018 foi divulgada na manhã desta segunda-feira (16), no site do programa. É possível ter acesso aos resultados de dois modos: digitando o número de inscrição e senha no Enem 2017, ou filtrando pela instituição, campus e curso. Os selecionados devem comprovar as informações das inscrições entre esta segunda até o dia 23 de julho. A partir do dia 30 de julho, os estudantes podem aderir à lista de espera do programa. Neste semestre são oferecidas 174.289 bolsas de estudo totais e parciais em 1.460 instituições de ensino superior. O Ministério da Educação não informou quantas delas foram preenchidas. Para ter direito a uma bolsa integral, o candidato deve comprovar uma renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio. As bolsas parciais de 50% são destinadas aos alunos que têm uma renda familiar per capita de até três salários mínimos. Segundo o MEC, quem conseguir uma bolsa parcial e não tiver condições financeiras de arcar com a outra metade do valor da mensalidade pode utilizar o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Cronograma do Prouni 2018 Comprovação de informações dos alunos da segunda chamada: 16 a 23 de julho Prazo para participar da lista de espera: 30 e 31 de julho Divulgação da lista de espera: 2 de agosto
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16/07 - Com crise e cortes na ciência, jovens doutores encaram o desemprego: 'Título não paga aluguel'
Geração formada durante o boom nos cursos de pós-graduação – e de ofertas de trabalho – hoje convive com a incerteza, disputando as poucas bolsas de pesquisa disponíveis ou tendo de deixar a ciência de lado para sobreviver. Jovens doutores de diversas áreas de atuação estão enfrentando dificuldades no mercado de trabalho CECILIA TOMBESI/BBC NEWS O estatístico Paulo Tadeu Oliveira, de 55 anos, defendeu seu doutorado na Universidade de São Paulo (USP) em agosto de 2008. Dez anos depois, ainda não conseguiu ingressar no mercado de trabalho. O pesquisador, que é deficiente visual, emendou três pós-doutorados em busca de especialização e experiência, mas não passou nas diversas seleções para o quadro de universidades públicas. Atualmente, está no quarto estágio pós-doutoral, desta vez sem apoio financeiro. Em busca de trabalho na iniciativa privada, ele consultou 18 headhunters para tentar enquadrar seu currículo ao mercado, mas encontrou respostas similares: o estatístico não possui experiência corporativa e, ao mesmo tempo, é considerado overqualified (qualificado demais) para as posições disponíveis. Em maio, ele relatou sua história à Comissão de Direitos Humanos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e espera resposta. Assim como Oliveira, diversos jovens doutores (ou seja, titulados recentemente) estão patinando profissionalmente. A concorrência continua crescendo: no ano passado, foram formados 21.609 novos doutores – ao todo, são 302.298, incluindo estrangeiros residentes no país. Em 2006, o país atingiu a meta de formar 10 mil doutores e 40 mil mestres por ano, segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgados à época. Em 2014, o Plano Nacional de Educação estabeleceu uma nova meta: a formação de 25 mil doutores por ano até 2020. O problema é que o principal destino de doutores, a área da educação – 74,5% dos empregados estão nas universidades ou institutos de pesquisa – sentiu os efeitos da crise econômica no país. O orçamento do Ministério da Educação (MEC) sofreu cortes de R$ 7,7 bilhões em 2015 e de R$ 10,7 bilhões em 2016, segundo dados da própria pasta. No Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) 44% (R$ 2,5 bilhões) foram congelados em 2017, de acordo com números do governo. A Capes, vinculada ao MEC, perdeu R$ 1 bilhão por ano desde 2015; o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligado ao MCTIC, também perdeu cerca de R$ 1 bilhão no caixa de 2015 para 2016, o que afeta programas de pós-doutorado, por exemplo. Nas instituições particulares, o quadro também é pessimista, com a demissão de milhares de professores - a Estácio de Sá, por exemplo, demitiu 1,2 mil docentes em dezembro de 2017 – e o trancamento de matrículas de alunos, que registrou um aumento de 22,4% entre 2011 e 2015, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Novo cenário Entre 1996 e 2014, o número de programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) triplicou no país, informa o relatório Mestres e Doutores 2015, o mais recente da série. Elaborado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), o estudo revela que o período também registrou um boom na formação de mestres (379%) e doutores (486%) no país. Um novo estudo em andamento no CGEE revela também a taxa de empregabilidade de doutores recém-titulados: entre 2009 e 2014, o índice se estabilizou em cerca de 73%, mas em 2016 caiu para 69,3%. "Historicamente, a taxa de emprego é mais estável, fruto de uma política constante, passando por governos variados. Apesar de ter cada vez mais doutores, podemos afirmar que até 2015 eles foram absorvidos pelo mercado, público e privado", diz a coordenadora da pesquisa, Sofia Daher, de 55 anos. "A queda não é drástica, mas sinaliza uma tendência nova. Houve uma redução considerável de concursos para professores universitários", disse ela à BBC News Brasil. O pesquisador Ronaldo Ruy, de 36 anos, é um retrato desse novo cenário: está desempregado desde a defesa de seu doutorado na Universidade Federal do Ceará (UFC), em 2016. "Estou buscando pós-doutorado para não tirar definitivamente os dois pés da ciência", diz ele, que fez cursos no Smithsonian Research Tropical Institute e no Florida Museum of Natural History, nos EUA. Atualmente dependendo da ajuda financeira da família, Ruy buscará trabalho fora de sua área de atuação. "O amor pela ciência não as paga contas. No meu caso particular, a situação chegou ao ponto da minha família ter dado prazo para que eu saia de casa e inevitavelmente terei que seguir outro caminho (profissional)", conta. Ronaldo Ruy diz que tenta o pós-doutorado como forma de permanecer na ciência ARQUIVO PESSOAL Foi o que fez Karen Carvalho, de 36 anos, doutora em neurociências pela USP. Após a conclusão da pesquisa no Instituto Butantan, em novembro, ela tentou ingressar na indústria farmacêutica, sem sucesso. "Durante o doutorado, desenvolvi depressão. Uma ironia, pois meu campo de estudo é estresse e depressão", diz a bióloga, que hoje atua como corretora de imóveis. De acordo com uma investigação com 2 mil estudantes de 26 países, publicada na revista Nature Biotechnology em março, os pós-graduandos têm seis vezes mais chance de sofrer ansiedade e depressão do que a população geral. Além das pressões do doutorado, Carvalho afirma que a falta de perspectiva agravou seu quadro. "No Brasil, a gente é tratado como 'só estudante' durante a pós. Falta olhar para o cientista como um profissional, muitas vezes muitíssimo qualificado. Você se mata para fazer mestrado e doutorado, e depois pensa: e agora, vou fazer o que com os títulos? Só perdi meu tempo? É uma tristeza, perde-se o brilho olhando para a situação atual da ciência. A gente está no limbo." Doutores demais? O biólogo professor da Universidade de Brasília (UnB) Marcelo Hermes-Lima, de 53 anos, vem criticando o que vê como uma formação excessiva de doutores desde 2008. "Teve uma inundação de 'cérebros'. É a lei do mercado: se você tem essa 'commodity' demais, desvaloriza-se", afirma. Para Hermes-Lima, a última década registrou "uma alucinada proliferação" de cursos de pós-graduação no país, priorizando quantidade, e não qualidade da formação acadêmica. "Aí chegou o teto - e o teto agora está começando a cair", ilustra. "A crise econômica empurrou muita gente sem real motivação científica para a universidade. Sem emprego, muita gente buscou refúgio na ciência, de olho nas bolsas. A crise demorou para chegar na ciência, mas agora chegou", critica. O filósofo Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação do governo Dilma Rousseff, pensa diferente. "Parar de investir na formação doutoral é um risco. Como um doutor demora em regra quatro anos para se titular, uma parada significará que, quando precisarmos de mais doutores, eles não estarão disponíveis", analisa. Para ele, a dificuldade de manter o ritmo de investimento para jovens doutores está relacionada "por um lado, à crise econômica; por outro, às prioridades diferentes do novo governo". Karen Carvalho, doutora em neurociências, hoje trabalha como corretora de imóveis Arquivo Pessoal Procurado pela BBC News Brasil, o Ministério da Educação diz não ser "verdade que falte recurso para as universidades". "A expansão das universidades federais trouxe impactos significativos para o orçamento do MEC, que precisam ser compreendidos em sua plenitude", escreve a pasta, em nota. Essa expansão, acrescenta, "foi realizada sem planejamento". "O ano de 2014 foi influenciado pelas eleições e por um momento econômico em que a gestão anterior não mensurou os efeitos dos gastos exagerados e sem controle. Diversos programas aumentaram recursos fora da realidade, fazendo com que a própria gestão anterior iniciasse as reduções, a partir de 2015", conclui. De 2003 a 2010, houve um salto de 45 para 59 universidades federais, o que representa uma ampliação de 31%; e de 148 câmpus para 274 câmpus/unidades, crescimento de 85%. A expansão também proporcionou uma interiorização – o número de municípios atendidos por universidades federais foi de 114 para 272, um crescimento de 138%, segundo dados do próprio MEC. Por sua vez, o MCTIC afirma que está atuando junto à equipe econômica para maior disponibilização de recursos. "Em anos anteriores, os esforços do MCTIC para recomposição orçamentária têm dado resultados, com a liberação de recursos contingenciados ao longo do ano. No cenário de restrições orçamentárias, o MCTIC mantém ainda permanente diálogo com os gestores de suas entidades vinculadas para que os recursos sejam otimizados, minimizando o impacto em suas atividades." Cartas de rejeição Diante da falta de oportunidade no mercado, tanto na iniciativa privada quanto nas instituições públicas, muitos jovens doutores apostaram na possibilidade de um pós-doutorado, conforme diversos relatos à BBC Brasil. A bolsa mensal do CNPq é de R$ 4,5 mil. Diferentemente do mestrado ou doutorado, o pós-doutorado não é um título: é uma especialização ou um estágio para aprimorar o nível de excelência de determinada área acadêmica. É visto como um aperfeiçoamento do currículo para processos seletivos para docente nas universidades públicas. Para a maioria dos candidatos, porém, as expectativas acabaram frustradas. "A proposta, apesar de meritória, não pode ser atendida nesta demanda, considerando-se a disponibilidade de recursos", dizia a resposta-padrão enviada a dezenas de doutores recém-titulados que tinham pedido bolsas na modalidade Pós-Doutorado Júnior (PDJ), do CNPq. 'Título não paga aluguel', diz Laura Carlette, que estuda o tema ARQUIVO PESSOAL Diante do resultado, divulgado em meados de junho, muitos doutores relataram sua indignação ao serem rejeitados em depoimento em grupo de 6,6 mil pesquisadores brasileiros no Facebook. Sob a condição de anonimato, um parecerista do CNPq conta que os avaliadores também ficaram frustrados. "Não importa o quanto o projeto é excelente, não há recursos para todo mundo; é infrutífero para a ciência do país". No início deste ano, dos 2.550 pedidos recebidos pelo CNPq, foram concedidas 363 bolsas de PDJ. No primeiro calendário de 2017, foram 2392 pedidos e 359 concessões. Doutor em psiquiatria pela UFRGS, com temporada de estudos na Tufts University, nos EUA, o pesquisador Dirson João Stein, de 44 anos, tentou quatro editais de pós-doutorado desde abril, diante da falta de concursos na área. Não conseguiu aprovação em nenhum. "Vejo como uma oportunidade de transição entre a vida estudantil e a vida profissional. Há possibilidade de praticar a docência, um dos principais pré-requisitos para a seleção de professores", considera. Assim como Ruy, Stein depende da família e, agora, faz freelancer como garçom para festas em São Leopoldo (RS). Peso emocional A psicóloga Inara Leão Barbosa, de 60 anos, que pesquisa desemprego desde 2003, destaca que um de seus efeitos psicossociais é o isolamento dos amigos e da família. "É um sentimento de regressão, um impacto muito violento. Eles, que eram considerados tão inteligentes, passam a ser vistos como vagabundos que não querem trabalhar. Muitos voltam a morar com os pais e são tratados como adolescentes. Eles se culpam como indivíduos, esquecendo que a crise faz parte do sistema", diz Barbosa, professora da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Muitos doutores vão parar no subemprego. "E, se você não quiser (o subemprego), no momento de crise tem uma fila de gente que quer", afirma. Professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), o historiador Rodrigo Turin, 38, diz que a academia está sendo pautada por conceitos como "produtividade", "inovação" e "excelência", respondendo a uma lógica de mercado. "Já começaram a aparecer, inclusive, ofertas de postos não-remunerados, nos quais esses jovens acadêmicos são induzidos a pesquisar e dar aulas apenas para poder 'engordar' seus currículos e, assim, se tornarem mais competitivos", critica. Essa "ideologia da excelência" é um dos pontos estudados por Lara Carlette, de 29 anos. Sua tese Universidades de classe mundial e o consenso pela excelência, defendida no Departamento de Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em fevereiro, foi indicada ao Prêmio Capes pela originalidade do trabalho. Ao propor um desdobramento de sua pesquisa para o CNPq, ela recebeu dois pareceres positivos e uma decisão negativa que, ironicamente, indicava falta de originalidade. Segundo Carlette, os jovens doutores vivem impasses: por um lado, muitos passam anos na condição de bolsistas de dedicação exclusiva (o que proíbe vínculo empregatício, assim limitando a possibilidade de experiência docente); por outro lado, a experiência é cobrada nos concursos. Na mesma linha, os acadêmicos precisam preservar a originalidade de suas teses (o que limita a publicação de artigos durante o doutorado), mas a produtividade (o número de publicações) é cobrada nos processos seletivos e nos editais. "Pode parecer dramático, mas conviver com isso diariamente é torturante. Saber ler a conjuntura, e não individualizar a falta de oportunidades, é essencial", adiciona a pesquisadora, que já foi questionada inclusive pela juventude: foi chamada de "novinha" durante um processo seletivo. "Depois da alegria e do alívio de defender uma tese, você está desempregado no dia seguinte. Título não paga aluguel."
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16/07 - A estratégia de Malala para colocar 130 milhões de meninas na escola
Em entrevista ao G1, CEO do Fundo Malala revela que a estratégia para educar meninas vai além de doações em dinheiro; nesta segunda, ativistas de sete países, incluindo duas brasileiras, se reúnem em Dubai para o primeiro encontro de treinamento da Rede Gulmakai. Farah Mohamed, CEO do Fundo Malala, em entrevista ao G1 na semana passada, no Pelourinho, em Salvador Egi Santana/G1 Nesta segunda-feira (16), dezenas de ativistas de sete países diferentes começam, em Dubai, um curso intensivo de cinco dias sobre negociações, advocacy e tecnologia. Eles vivem em sete países diferentes – duas delas, por exemplo, são brasileiras – e foram escolhidos porque batalham por uma única causa: a educação de meninas. Todos foram levados aos Emirados Árabes Unidos com tudo pago pelo Fundo Malala – é a primeira vez que todos eles, membros da Rede Gulmakai, se reunirão. A organização foi criada pela jovem paquistanesa Malala Yousafzai para gerenciar os milhões de dólares arrecadados em doações de todo o mundo depois que, em 9 de outubro 2012, o Talibã tentou assassinar a menina a tiros porque ela insistia em ir à escola. O orçamento anual do fundo chega perto dos R$ 40 milhões. Em suas entrevistas e discursos em público, Malala costuma falar baixo, usar frases curtas e levar as mãos à boca quando dá risada. Mas essa timidez convive lado a lado com a causa à qual ela decidiu dedicar sua vida após o atentado, que ela aceita como uma vocação: aproveitar sua influência internacional para angariar o máximo de apoio possível para ver, ainda em viva, todas as 130 milhões de meninas que ainda não têm acesso à educação. "Malala quer dividir seu palco", disse Farah Mohamed, CEO do Fundo Malala. "Ela acredita que pode abrir a porta para um ativista Gulmakai entrar e, quando ela sair, ele pode ficar lá." Malala Yousafzai ri durante entrevista em Salvador Egi Santana/G1 Em entrevista exclusiva ao G1 em Salvador, na semana passada, Farah explicou o plano de ação do fundo, que envolve: Lutar pelo acesso das crianças aos 12 anos de educação básica e de qualidade A arrecadação de recursos junto a pessoas físicas e grandes empresas A busca de ativistas de educação que já tenham um histórico de trabalho, mas que ainda não receberam apoio adequado para avançar na causa A oferta de apoio financeiro, treinamentos e contatos a esses ativistas Ampliar a voz de meninas e mulheres mais vulneráveis, principalmente nas comunidades mais vulneráveis A voz de Malala ressoou internacionalmente quando tinha apenas 15 anos e sobreviveu ao atentado. A ousadia dos jihadistas foi enfrentada pelo resto do mundo com uma mobilização em prol da recuperação da saúde da adolescente, e ofertas de dinheiro para ajudá-la em sua causa. Por isso, em abril de 2013, já recuperada, vivendo no Reino Unido e de volta às salas de aula, ela e seu pai, o educador Ziauddin Yousafzai, anunciaram a criação de um fundo para ajudar "outras Malalas". O que mudou, a partir dali, foi que Malala deixou de pensar em colocar todas as meninas paquistanesas na escola, e decidiu que lutaria pela educação de todas as meninas do mundo que ainda estão fora da sala de aula – segundo dados da Unesco, isso atualmente inclui 130 milhões de garotas. Malala Yousafzai posa para foto no pátio do hotel Villa Bahia, em Salvador, após concedere entrevista ao G1 Egi Santana/G1 Doações de várias fontes O dinheiro é arrecadado tanto de pessoas físicas quanto de corporações e organizações sem fins lucrativos – o fundo recusa doações de governos. O fundo também faz campanhas pontuais, como a iniciada em 9 de julho em homenagem ao aniversário de 21 anos de Malala. Em pouco mais de cinco anos, a paquistanesa já angariou o apoio de grandes empresas, se encontrou com presidentes, ajudou a negociar acordos de cooperação com agências da ONU e criou a rede de ativistas Gulmakai, batizada com o pseudônimo usado por Malala quando ela ainda era uma ativista anônima, e escrevia em um blog da BBC Urdu. "Esse nome significa centáurea-azul (uma espécie de flor) na nossa língua, mas ele tem um significado maior para mim, que é levantar a voz, que é o ativismo", explicou Malala, em entrevista exclusiva ao G1. Já presente em seis países (Afeganistão, Líbano, Índia, Nigéria, Paquistão e Turquia), na semana passada a rede chegou oficialmente à América Latina, começando pelo Brasil, com o anúncio de que três mulheres da Bahia, de Pernambuco e de São Paulo receberão, nos próximos três anos, um total de quase 700 mil dólares (cerca de R$ 2,6 milhões). "Para nós não é só sobre o dinheiro, e não é só sobre a Malala. É a rede", afirma Farah. "Nós oferecemos a rede, oferecemos financiamento e oferecemos a plataforma. Eles vão aprender sobre negociações, advocacy, tecnologia... Essas são coisas que não estão incluídas naquele orçamento." Durante cinco dias, em Dubai, as mulheres e homens que integram a rede terão doze horas diárias de encontros, reuniões e oficinas onde apresentação seus países de origem e aprenderão estratégias para a evolução de seus trabalhos localmente, e como atuar em conjunto. 'Malala quer dividir seu palco', disse Farah Mohamed, CEO do Fundo Malala Egi Santana/G1 A marca da diversidade De acordo com a CEO do fundo, a Rede Gulmakai é formada de indivíduos diversos. Farah diz que, em comum, eles compartilham a causa da educação. "Mas fora isso cada um encontra o seu jeito, no seu país, de fazer a diferença. Alguns vão focar nos professores, outros vão focar na tecnologia, outros vão focar em mudar as leis. Essa é a beleza da Rede Gulmakai." Em alguns países, principalmente na África e no Oriente Médio, a luta pela educação de meninas anda lado a lado com o combate ao casamento infantil, um dos principais motivos que tiram garotas das salas de aula. Já no Brasil, Malala aponta a desigualdade racial por trás da exclusão de meninas da escola. Por isso duas das três brasileiras selecionadas atuam na defesa da inclusão de mais meninas indígenas na escola, na demarcação de terras indígenas e no empoderamento de meninas afrobrasileiras – a terceira atua na área de pesquisa sobre políticas públicas de educação, com foco na igualdade de gênero e racial. Requisitos para entrar na rede Farah diz que a ideia de expandir a rede para a América Latina foi lançada pela própria Malala entre agosto e setembro do ano passado, quando os nove membros do conselho do Fundo Malala, incluindo seus fundadores, Malala e Ziauddin, se reuniu para traçar a estratégia para o ano seguinte. "Ela começou a falar sobre a América Latina, então começamos a procurar com quem trabalhar aqui, tendo certeza de que havíamos encontrado as pessoas certas que tinham o plano certo, mas que só precisavam daquele investimento para fazer muito mais coisas", explicou a CEO. O passo seguinte foi entrar em contato com ativistas locais buscando pessoas que preenchessem os seguintes requisitos: Acreditar que é possível melhorar a educação em seu país Estar associado ou associada a uma organização Ser indivíduos nos quais o fundo poderá investir para poderem investir em outras pessoas Já ter um histórico de trabalho estabelecido Não ter recebido necessariamente o apoio suficiente para alavancar esse trabalho "Queríamos garantir que estávamos alcançando as meninas que são mais difíceis de alcançar, por isso temos essa ênfase nas meninas indígenas e afrobrasileiras." - Farah Mohamed A seleção durou vários meses e incluiu visitas e entrevistas in loco. As três mulheres selecionadas afirmaram ao G1 que, inicialmente, estavam sendo procuradas também para indicar outros nomes de organizações que atuam na área de educação. Farah afirmou, ainda, que Malala havia decidido escolher pelo menos duas mulheres, mas que o número ideal seria três. Em maio, o conselho se reuniu novamente para votar nas candidatas finalistas do processo de seleção. "A escolha dessas três foi unânime."
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16/07 - Candidatos do Enem se despedem da Copa do Mundo com 'Seleção de Memes': sobrou para Mbappé e Neymar
Por um mês, eles se distraíram entre as horas de estudo com piadas sobre o Mundial na Rússia e até pediram para que a Copa ocorresse todo ano, e o Enem só de quatro em quatro. Veja as melhores piadas. Vestibulandos não esqueceram do Enem 2018 nem durante a Copa do Mundo da Rússia Reprodução Os internautas inscritos na edição 2018 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começaram a Copa do Mundo na Rússia, em 14 de junho, falando (ligeiramente) sobre matemática: Initial plugin text Um mês depois, parece que o jogo virou: Initial plugin text O fato é que quem tem uma conta no Twitter e o plano de conseguir uma vaga na faculdade não conseguiu evitar os comentários e piadas sobre a Copa da Rússia nos intervalos dos estudos – sejam eles de apenas cinco minutos ou... 30 dias. Cada um lidou com o coração dividido da maneira que conseguiu. Uns partiram para o humor: Initial plugin text Initial plugin text Outros não conseguiram esconder a inveja de "certos jovens" que nunca saberão o que é a pressão do vestibular: Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Teve gente que já começou a pensar em se mobilizar para combater essa injustiça: Initial plugin text E daí veio a derrota do Brasil para a Bélgica, no meio do caminho, para piorar a situação: Initial plugin text Algumas comparações acabaram sendo inevitáveis: Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Por fim, veio a grande final da Copa, com o bicampeonato da França. Teve gente querendo a todo custo evitar o fim de um sonho... Initial plugin text Mas não teve como escapar da realidade: Initial plugin text Initial plugin text E não passou despercebido aos candidatos do Enem o fato de Mbappé, aos 19 anos, ter se consagrado como o segundo adolescente a fazer gol em Copa do Mundo, ao lado de ninguém menos do que o Rei Pelé: Initial plugin text Initial plugin text Mas procure não se deixar abater com os desafios que a vida impõe... Initial plugin text ...porque estudante bom é estudante que sempre tira um aprendizado das derrotas. Por isso, ouça os professores citados pelos vestibulandos: Initial plugin text Initial plugin text E não é que caiu no vestibular da UEPG, no Paraná? Por fim, fique de olho nos neologismos, porque nunca é demais estar atualizado: Initial plugin text Se você ainda não está pronto para desapegar do futebol e voltar às apostilas, veja essa explicação de professores sobre por que o gol do Philippe Coutinho contra a Suíça não tem chance de aparecer no Enem, mas o gol do Paulinho contra a Sérvia pode te ajudar a acertar questões de física.
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16/07 - Prouni 2018: resultado da 2ª chamada sai nesta segunda-feira
Convocados devem comprovar as informações das inscrições entre esta segunda até o dia 23 de julho. A lista de aprovados na segunda chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni) do segundo semestre de 2018 será divulgada nesta segunda-feira (16), no site do programa. Os selecionados devem comprovar as informações das inscrições entre esta segunda até o dia 23 de julho. A partir do dia 30 de julho, os estudantes podem aderir à lista de espera do programa. Neste semestre são oferecidas 174.289 bolsas de estudo totais e parciais em 1.460 instituições de ensino superior. O Ministério da Educação não informou quantas delas foram preenchidas. Para ter direito a uma bolsa integral, o candidato deve comprovar uma renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio. As bolsas parciais de 50% são destinadas aos alunos que têm uma renda familiar per capita de até três salários mínimos. Segundo o MEC, quem conseguir uma bolsa parcial e não tiver condições financeiras de arcar com a outra metade do valor da mensalidade pode utilizar o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Cronograma do Prouni 2018 Comprovação de informações dos alunos da segunda chamada: 16 a 23 de julho Prazo para participar da lista de espera: 30 e 31 de julho Divulgação da lista de espera: 2 de agosto
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16/07 - Fies do segundo semestre abre inscrições para 155 mil vagas nesta segunda
Prazo para participar vai até o dia 22; das 155 mil vagas, 50 mil são para contratos de financiamento a juro zero. Inscrições para o Fies no 2º semestre começam nesta segunda-feira (16) O Ministério da Educação abriu nesta segunda-feira (16) as inscrições para 155 mil vagas da edição do segundo semestre do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Podem participar da seleção estudantes que participaram do Enem a partir da edição de 2010 e obtiveram média aritmética das notas nas provas igual ou superior a 450 (quatrocentos e cinquenta) pontos e nota na redação superior a 0 (zero). Para concorrer pela modalidade de financiamento do Fies, é preciso possuir renda familiar mensal bruta per capita de até três salários mínimos. Já na modalidade P-Fies (quando o agente financeiro é o banco), a renda familiar mensal bruta per capita deve ser de de três a cinco salários mínimos. As inscrições devem ser feitas pelo site oficial do Fies e o prazo para participar termina em 22 de julho. Fies 2018: processo do 2º semestre já está aberto Reprodução/ MEC Cronograma do Fies Inscrições: 16 a 22 de julho Resultado: 27 de julho Complementação da inscrição: 27 a 31 de julho Lista de espera (modalidade Fies): 1º a 24 de agosto Modalidades do Fies O novo Fies tem duas modalidades: Fies: Candidatos cuja renda familiar per capita seja de até 3 salários mínimos. Nesse tipo de financiamento, o pagamento será feito com juros zero. Caso o estudante se encaixe nessa faixa de renda, só poderá participar do P-Fies se não houver vaga para o curso desejado na primeira modalidade. P-Fies: Candidatos cuja renda familiar per capita esteja entre 3 e 5 salários mínimos. Nessa modalidade, o financiamento é feito por condições definidas pelo agente financeiro operador de crédito (banco). Teto de semestralidade A seleção do segundo semestre terá o retorno do limite máximo do valor das mensalidades cobertas pelo fundo. Ele voltará a cobrir cursos com mensalidades de até R$ 7 mil, ou R$ 42 mil por semestre. No primeiro semestre, o limite era de R$ 30 mil, o que permitia que apenas cursos com mensalidade de até R$ 5 mil pudessem participar do financiamento. Conhecido como "teto da semestralidade", esse limite de R$ 42 mil já existia no antigo modelo do Fies, mas foi reduzido no lançamento do Novo Fies, segundo ele, em nome da "sustentabilidade" do programa.
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15/07 - Quem são os 'influenciadores digitais do bem' que acompanharam Malala em sua viagem pelo Brasil
Pela primeira vez, a ativista paquistanesa convidou jovens que fizeram fama pelas redes sociais para viajar ao lado dela; conheça o trabalho de Elaine Welteroth, dos EUA, Juanpa Zurita, do México, e Jérôme Jarre, da França. Malala posa ao lado de Jérôme Jarre (esq.), Elaine Welteroth e Juanpa Zurita no Pelourinho, em Salvador Divulgação/Luisa Dörr/Malala Fund Nesta semana, a ativista paquistanesa Malala Yousafzai passou seis dias no Brasil visitando ativistas que lutam pela educação de meninas e comemorando seu aniversário de 21 anos. Além das três brasileiras selecionadas para integrar a rede de ativistas de Malala, da fotógrafa brasileira Luisa Dörr e da equipe que trabalha no Fundo Malala, a trupe que percorreu o Brasil também contou com a presença de três influenciadores digitais que, pela primeira vez, tiveram acesso irrestrito à mais jovem vencedora do Prêmio Nobel da Paz. Desconhecidos do grande público brasileiro, Elaine Welteroth, dos Estados Unidos, Juanpa Zurita, do México, e Jérôme Jarre, da França, arrastam milhões de seguidores pelas redes sociais. Eles foram escolhidos para a viagem, porém, pelo que decidiram fazer com a audiência que acumularam durante os anos: campanhas voluntárias de solidariedade e debates sobre direitos humanos e igualdade. Exclusivo: ensinar às meninas que elas têm direitos é 'crucial', diz Malala "Ela já havia conhecido todos os três em outras ocasições, queria conhecê-los melhor e também acreditou que eles poderiam amplificar sua mensagem em prol da educação e igualdade para meninas", afirmou a equipe de comunicação do Fundo Malala ao G1. Com acesso irrestrito à paquistanesa e hospedados nos mesmos hoteis, os três percorreram o Brasil ao lado dela e postaram detalhes em suas redes sociais. No Pelourinho, em Salvador, Malala amarrou uma fita do Senhor do Bonfim no pulso de Elaine e pediu que ela fizesse um pedido. Além disso, eles passaram dois dias no Rio, onde visitaram o Pão de Açúcar com bailarinas do projeto Na Ponta dos Pés, aprenderam sobre a história de Marielle Franco na sede da Rede Nami e cantaram "Parabéns a você" à ativista em um restaurante em Santa Tereza. Na sexta-feira (13), eles já estavam de volta a seus países. "Ela realmente adorou tê-los na viagem. Isso fez do período de Malala no Brasil ainda mais significativo: as meninas que conhecemos inspiraram Malala, mas também Elaine, Juanpa e Jerome – três pessoas a mais que podem ajudar a contar suas histórias", informou o Fundo Malala. Ao lado de Malala, Jérôme Jarre, Juanpa Zurita e Elaine Welteroth aplaudem apresentação do Olodum em Salvador Egi Santana/G1 Conheça o trabalho de cada um deles: Igualdade de gênero e racial Aos 31 anos, a californiana Elaine Welteroth já entrou para a história do jornalismo americano. Em 2016, ela foi incluída na lista de 100 afroamericanos mais influentes e, em 2017, foi promovida ao cargo de editora-chefe da revista Teen Vogue. Ela foi a segunda pessoa negra a receber um cargo desses na história centenária da editora Condé Nast, e a mais jovem. Durante o tempo que passou à frente da revista, Elaine foi responsável por ampliar a diversidade de temas discutidos e expandir o alcance digital da Teen Vogue, incluindo a cobertura das eleições presidenciais. Depois que a edição impressa da revista foi extinta, Elaine, que trabalhou na editora durante cerca desde 2011, decidiu, no início do ano, dedicar seu tempo a manter sua marca pessoal, principalmente seu perfil no Instagram, onde tem 270 mil seguidores. De entrevistadora, ela passou a entrevistada, palestrante e moderadora de eventos, além de ser convidada para viagens como a de Malala. Seu foco nos dias em que passou no Brasil foi destacar os aspectos da cultura brasileira influenciados pela negritude, e o desafio de colocar todas as brasileiras na escola. "Hoje, 1,5 milhão de meninas têm o direito à educação negado no Brasil. 1,5 milhão! Apesar de esse número ser chocante, infelizmente é só uma pequena parte das 130 milhões de meninas no mundo que enfrentam a mesma injustiça. A notícia positiva é que isso significa que nosso objetivo de superar essa crise no Brasil é alcançável, e enquanto estivermos vivos!" - Elaine Welteroth Initial plugin text Milhões arrecadados para a África e os refugiados Juanpa Zurita é mexicano, tem 22 anos e um canal no YouTube com oito milhões de inscritos, onde começou produzindo vídeos humorísticos caseiros. O mais jovem da turma de "influenciadores do bem" escolhidos para a viagem com Malala, ele foi eleito em 2015 o "ícone do ano" pela MTV Latinoamérica, e desde 2016 também virou modelo de marcas como Louis Vitton e Dolce & Gabbana. Já Jérôme Jarre, nascido na França, tem 28 anos e acabou virando uma sensação mundial depois que um de seus vídeos curtos de comédia na plataforma Vine viralizou. O jovem, que afirma ter largado a faculdade porque não queria uma vida monótona e sem riscos, criou uma empresa e passou a fazer uma série de parcerias com marcas que queriam seu estilo de comédia anunciando seus produtos. Mas, de acordo com Jérôme, quanto mais seguidores ele acumulava, mais seletivo ele se tornou, até que passou a dedicar seu tempo com campanhas de solidariedade pelo mundo. Juntos, Jérôme e Juanpa criaram o "Love Army" (Exército do Amor, em inglês), e uniram outras webcelebridades, além de celebridades da música e do cinema, para arrecadar fundos e doar recursos para diversos projetos. Só em 2017 eles juntaram 2,7 milhões de dólares (quase R$ 10 milhões) para levar água à Somália, outros 2,2 milhões de dólares (R$ 8,3 milhões) para os refugiados rohingya e 1,3 milhões de dólares (quase R$ 5 milhões) para ajudar às vítimas do terremoto no México. "Como eu e Jérôme somos homens, nós não necessariamente crescemos conscientes do que realmente significa ser uma mulher, ou do preconceito que vem com isso. Nós estamos honrados de agora ter a melhor professora do mundo para isso, e estamos ansiosos para aprender como também podemos fazer parte dessa luta pela educação de meninas", afirmou Juanpa em seu Instagram. Initial plugin text
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14/07 - Coworkings criam estrutura para atender crianças enquanto pais trabalham
No período de férias escolares, espaços compartilhados de trabalho que aceitam crianças ganham mais adeptos. Coworkings criam estrutura para atender crianças enquanto pais trabalham Quando o primeiro filho fez 8 meses, Maria Raquel Francese, de 37 anos, assumiu um trabalho grande como redatora que poderia fazer à distância. Mas queria uma alternativa, que não uma escola, para conseguir trabalhar e estar próxima do bebê. Passou, então, a frequentar um coworking, na Vila Mariana, na Zona Sul de São Paulo, que possui espaço para crianças. “Achava o Leonel muito pequeno para pôr na escola, ele não poderia me contar o que tinha acontecido no dia dele. Uma amiga me indicou o coworking Casa de Viver, que tinha acabado de abrir em 2015, e deu super certo. Fiz a adaptação do meu jeito, foi muito confortável e fácil para nós”, diz. Cada vez mais os coworkings, lugares que oferecem estrutura de escritório compartilhada, têm apostado no conceito “kids friendly” para atrair famílias. Alguns já aceitam até animais. Nesse modelo, enquanto os adultos trabalham, as crianças são entretidas por cuidadores em espaços para brincar, dormir e até se alimentar. Eles não são restritos às mulheres e homens também podem frequentar. “Saber que seu filho está perto, almoçar com ele, poder ouvir se ele está chorando ou rindo enquanto você trabalha, é muito gostoso. Sei que na escola eles também estariam bem, mas poder ver seu filho brincando no meio do seu ‘expediente’, é uma vantagem muito grande”, conta Raquel. Sefirah de Araujo e a filha Helena, de 2 anos Celso Tavares/ G1 A relações públicas Sefirah de Araujo, de 31 anos, mãe da Helena, de 2, acredita que os coworkings familiares são os grandes motivadores para que as mães retomem a vida profissional. Ela pediu demissão do emprego depois que a filha nasceu, mas quando Helena completou um ano, voltou a trabalhar no modelo home office e passou a frequentar a Casa de Viver. “Eu quero trabalhar, mas eu quero também conviver com a minha filha, amamentar o tempo que a gente acha que deve. Eu queria fazer a introdução alimentar e queria que esse começo da vida dela fosse comigo", conta Sefirah. Sefirah lamenta que as empresas não vejam esse modelo de trabalho como um benefício. “Se fosse visto dessa forma, as empresas teriam funcionárias rendendo muito mais do que rendem ficando 12 horas longe dos seus filhos, só os vendo dormir e acordar.” Pela legislação brasileira, as crianças podem frequentar espaços como este diariamente somente antes dos 4 anos. A partir desta idade, elas devem estar matriculadas na escola. Raquel Francese com seu segundo filho, Telmo, de 2 anos Celso Tavares/ G1 Demanda sazonal Barbara Helt, proprietária do M Working, em Botafogo, na Zona Sul, do Rio de Janeiro, conta que neste mês de julho, por conta das férias escolares, a demanda aumentou 50% em relação aos outros meses. Além das estações de trabalho e salas privativas para reuniões, o local possui ateliê de artes, canto para leitura, horta, aquário, além de curso de musicalização e contação de história para crianças. Mãe de três de filhos, de 2, 9 e 14 anos, Barbara abriu o negócio pensando mesmo em uma demanda pessoal. “Eu era piloto de avião, depois que tive meu primeiro filho fui trabalhar no setor administrativo. No segundo, parei de amamentar depois de quatro meses e voltei a trabalhar 12h por dia. Desisti e me apaixonei pelo empreendorismo materno", diz Barbara. Barbara chegou a ter um hostel, mas depois decidiu montar o coworking familiar para acolher as mães. “Estava imersa no mundo da maternidade e percebi que nenhum lugar é adaptado para crianças. A vida da mulher passa ser o filho e ela perde identidade por conta desse papel principal de ser mãe.” Sabrina Wenckstern, sócia da Casa de Viver, em São Paulo, diz que nas férias eles recebem de volta as famílias que frequentaram o espaço enquanto os filhos eram bebês, mas depois tiveram de ir para a escola. “É que no período das férias volta aquele mesmo problema de não ter o que fazer com as crianças. Aqui a criança vai conseguir brincar e a aproveitar as férias, e essa família vai conseguir render no trabalho”, diz Sabrina. Os preços dos serviços variam, pois os usuários têm a opção de pagar pelo uso do espaço por hora, período ou até fechar pacotes semanais e mensais. O preço da hora pode custar a partir de R$ 25, incluindo a vaga de uma criança. Já para frequentar o local cinco vezes por semana, por meio período, pode sair de R$ 672 a R$ 1.400. O pacote para o mês todo chega a custar R$ 2.300, de acordo com consulta feita pelo G1. Espaço da Casa de Viver, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo Celso Tavares/ G1 Espaço de brincar do M Working, no Rio de Janeiro Divulgação
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13/07 - Como movimentos similares ao Escola sem Partido se espalham por outros países
Após êxito de grupo peruano, que suspendeu o ensino de questões de gênero nas escolas do país, mais iniciativas têm crescido no continente. Como movimentos similares ao Escola sem Partido se espalham por outros países Divulgação/Con Mis Hijos No Te Metas A disputa sobre o que deve ser ensinado nas salas de aula está quente na América Latina. Em resposta a iniciativas de diferentes governos para incluir educação sexual e questões de gênero no currículo escolar, grupos conservadores e religiosos têm se articulado para combater o que, segundo eles, seria uma intromissão do Estado na educação moral praticada em casa pelas famílias. No Brasil, o movimento Escola Sem Partido acabou emprestando seu nome a um controverso projeto de lei que está em apreciação na Câmara dos Deputado. O texto estabelece regras para a conduta dos professores com objetivo de evitar supostas "doutrinações" em sala de aula e proíbe o ensino de questões de gênero. Nos vizinhos latino-americanos, a resistência conservadora ganhou um lema comum: o "Con Mis Hijos No Te Metas" - em português, "não se meta com meus filhos". O slogan começou a se espalhar pelas ruas e redes sociais do Peru em 2016, quando grupos conseguiram barrar a implementação de parte do novo Currículo Nacional para Educação Básica, e acabou inspirando articulações com o mesmo nome em países como Equador, Chile, Argentina e Paraguai. O inimigo comum é a "ideologia de gênero" - que, na visão desses grupos, seria uma forma de ensinar as crianças erroneamente que elas podem ser, sexualmente, o que quiserem. Todos repetem a mesma identidade visual, baseada nas cores azul e rosa, para marcar o que consideram a diferença natural entre homens e mulheres. Já os grupos que defendem as escolas como promotoras da igualdade de gênero e do respeito à diversidade sexual veem o mundo de forma mais "colorida" e rechaçam o termo ideologia, adotado pelos opositores. À BBC News Brasil, o advogado Miguel Nagib, coordenador do Escola Sem Partido, diz que não mantém articulação com esses grupos, mas reconheceu a semelhança. "Eu gosto muito dessa expressão, 'con mis hijos no te metas'. É exatamemte isso: os pais querem apenas poder educar os seus filhos. É um direito natural das famílias e estão querendo tirar para virar um Estado totalitário", disse. Os opositores da proposta, por sua vez, dizem que o autoritarismo está em impedir que os filhos aprendam outras perspectivas nas escolas. "O movimento tem uma noção de família em que os pais são proprietários dos filhos. É uma relação muito autoritária", afirma Renata Aquino, docente de história e integrante do movimento Professores contra o Escola Sem Partido. A Organização das Nações Unidas tem criticado esses movimentos e se manifestou contra a suspensão do ensino de questões de gênero no Peru. "Os valores familiares não precisam ser contrapostos pela escola, mas precisam ser colocados em perspectiva, entendendo que existe uma variedade de valores. Temos crianças e adolescentes sofrendo muito com esse apagamento da possibilidade de discutirem sua identidade de gênero", ressalta Ítalo Dutra, chefe de Educação do Unicef (órgão da ONU para os direitos das crianças) no Brasil. No Peru, o Con Mis Hijos No Te Metas ("Não se meta com meus filhos", em espanhol) conseguiu levar multidões às ruas em março de 2017, em diversas cidades Divulgação/Con Mis Hijos No Te Metas 'Homem é homem, mulher é mulher' No Peru, o Con Mis Hijos No Te Metas conseguiu levar multidões às ruas em março de 2017, em diversas cidades. Poucos dias depois, o governo peruano baixou uma resolução alterando a redação de alguns trechos do currículo escolar, com objetivo de promover uma "adequação" para superar "mal-entendidos", explicou à BBC Brasil Marilú Martes, na época ministra da Educação peruana. No entanto, um tópico bastante criticado pelo movimento foi mantido: o que regula como deve se dar o enfoque de igualdade de gênero na sala de aula. Ele começa dizendo: "Todas as pessoas têm o mesmo potencial para aprender e se desenvolver plenamente. Igualdade de gênero refere-se à avaliação igualitária dos diferentes comportamentos, aspirações e necessidades de mulheres e homens". O trecho que gerou mais resistência aparece pouco depois e diz: "Embora o que consideramos feminino ou masculino seja baseado em uma diferença biológica sexual, essas são noções que construímos dia a dia, em nossas interações". Na sequência, o documento orienta o professor a fomentar a "valorização respeitosa do corpo" como forma de "prevenir situações de abusos sexuais". Também chama atenção para a não reprodução de preconceitos como considerar que mulheres limpam melhor ou que homens não são sensíveis. Embora o tópico não aborde diretamente a diversidade de orientação sexual, o Con Mis Hijos No Te Metas considera que o texto promove o homossexualismo. O movimento conseguiu no ano passado uma decisão liminar da Justiça peruana suspendendo o enfoque de igualdade de gênero do currículo escolar. Ainda se aguarda uma manifestação definitiva da Suprema Corte. Cientes de que a vitória não é definitiva, seguem mobilizados, disse à BBC Brasil o porta-voz do movimento, Christian Rosas. "Já estamos anunciando uma nova marcha para garantir que não se volte a implementar uma abordagem que não seja a abordagem humana, isto é, a imposição de uma ideologia (teoria do gênero), independentemente de que alguns possam ou não estar de acordo. Não compete às nossas autoridades decidir, dado que a função do Estado é transmitir um ensinamento a partir da neutralidade e não da imposição ideológica", escreveu, por email. Já a ex-ministra da Educação Marilú Martes, que deixou o governo após a renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski em março, espera que os sucessivos casos de violência doméstica sensibilizem a Suprema Corte a autorizar a volta do enfoque de gênero na sala de aula. "Grupos evangélicos dizem que estamos confundindo as crianças. Não é verdade. Você não confunde quando informa bem e é isso que faz o Ministério da Educação: informar as crianças e jovens quais são seus direitos", defendeu. "Lamentavelmente, é justamente nas famílias que mais ocorrem violações a meninas menores. Como podemos dizer então que a educação sexual deve ser apenas promovida pelos pais se justamente os pais, tampouco educados, lamentavelmente causam dano a seus próprios filhos?", questionou ainda. 'Erradicar a ideologia de gênero do mundo' Após o sucesso do movimento peruano, algumas dezenas de milhares de equatorianos foram às ruas de Guayaquil e Quito em outubro contra a inserção de artigos que previam ensino de questões de gênero em uma lei de combate à violência contra as mulheres. O texto aprovado não agradou completamente a nenhum dos lados da disputa. Também em outubro passado, após manifestações nas ruas do Paraguai, o então ministro da Educação Enrique Riera determinou a retirada de materiais didáticos, herdados da gestão anterior, que diziam que gênero é uma construção social. "A família tradicional é papai, mamãe e filhinhos. Naturalmente, nós respeitamos as opções diferentes, mas não vamos inculcar (essa percepção) nas escolas públicas", disse Riera à imprensa paraguaia na ocasião. O Con Mis Hijos No Te Metas do Chile, por sua vez, tem marcado oposição às "tomas", movimento liderado por feministas de ocupação de universidades e escolas contra as práticas de assédios sexuais dentro dessas instituições. O movimento critica a interrupção das aulas e apresentou, por meio de parlamentares aliados, um projeto de lei para proibir as ocupações. Iniciativas parecidas com outras denominações também vêm ganhando força em países como México e Costa Rica. O debate no continente, porém, não se limita aos latinos. Recém-eleito para governar a província de Ontario, no Canadá, Doug Ford cumpriu sua promessa de campanha e suspendeu nesta semana o currículo de educação sexual implementado em 2015, que havia sido alvo de protestos. O currículo estabelecia, por exemplo, o ensino sobre diferentes identidades de gênero e abordava a masturbação como algo natural "que muitas pessoas fazem e sentem prazer". Christian Rosas, porta-voz do Con Mis Hijos No Te Metas peruano, disse que tem mantido articulação frequente com esses grupos. Segundo ele, o movimento está presente em todo o continente americano e já inspirou grupos na França, Dinamarca, Japão e Austrália. No Brasil, citou a presença de uma vertente, mas suas páginas no Facebook somam poucas dezenas de seguidores. "Temos reuniões mensais de forma virtual, onde compartilhamos uma agenda e acompanhamos programaticamente as iniciativas que são apresentadas nos diferentes países. Isso nos ajuda a ter uma reação mais sincronizada, compartilhando estratégias sociais, comunicacionais, políticas etc.", contou. "Nosso objetivo é erradicar a ideologia de gênero do Peru, do continente e do mundo. Nesse sentido, as conexões com o Brasil e outros países fazem parte da estratégia programática no curto, médio e longo prazo", explicou ainda. Disputa no Brasil O Escola Sem Partido, criado em 2004, não nasceu com o enfoque em questões de gênero, mas a partir da indignação de Miguel Nagib contra o que considerou uma tentativa de doutrinação do seu filho quando um professor comparou o líder comunista Che Guevara a São Francisco de Assis. As reivindicações se aproximaram, porém, depois que grupos religiosos conseguiram barrar em 2011, durante o governo Dilma Rousseff, a distribuição do material pedagógico "Escola Sem Homofobia", que acabou apelidado de "kit gay" pelos opositores. "A proposta que está no Congresso trata de aspectos políticos, partidários e ideológicos e também dessa questão relacionada à ideologia de gênero. Não acho que seja possível separar uma coisa da outra hoje", afirma Nagib. A proposta em discussão na Câmara dos Deputados prevê, entre outras determinações, que o professor "não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas". Estabelece também que o docente, "ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, apresentará aos alunos, de forma justa, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito". Além disso, proíbe qualquer ensino de questões de gênero. Críticos da proposta dizem que ela tolhe a liberdade de ensino garantida aos professores no artigo 206 da Constituição Federal. Dizem também que a Constituição já prevê o "pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas" nas salas de aula. Afirma, ainda, que a proposta Escola Sem Partido é na verdade uma "cortina de fumaça" para impor o conservadorismo ao ensino no Brasil. Estava previsto que o deputado Flavinho (PSC-SP), relator do projeto de lei, apresentasse seu parecer final nesta semana na comissão especial que está debatendo a proposta. Após uma longa e tensa sessão de debates na quarta-feira, porém, não houve tempo para a apreciação do texto, que agora só deve ocorrer em agosto, após o recesso parlamentar de julho.
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13/07 - Metade dos calouros na faculdade em 2010 trocaram de turma, de instituição ou abandonaram o curso
Só 34% dos estudantes tiveram uma trajetória 'sem percalços' no período, segundo acompanhamento feito pelo Inep; entre as desistências, 84,4% eram de alunos matriculados em instituições privadas. Trajetória dos alunos que ingressaram em faculdade em 2010 Karina Almeida/ G1 Quase 56% dos alunos que entraram na faculdade em 2010 não se formaram com os colegas do curso de graduação no qual se matricularam. Abandonos ou trocas de instituição de ensino justificam os percentuais apontados nos dados inéditos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que acompanhou a trajetória dos universitários entre 2010 e 2015 com base no Censo da Educação Superior. O percentual é equivalente a 1.392.586 estudantes. O estudo não aponta exatamente quantos deles, além de abandonarem o curso, também deixaram o sonho de se formar em uma faculdade. As desistências podem estar relacionadas a mudanças de universidade, de curso e até de turno em relação à matrícula feita em 2010. Especialistas ouvidos pelo G1 dizem que o índice é alto e apontam como causas do abandono a educação básica pública deficitária, que não habilita o aluno recém-saído do ensino médio para a universidade; a crise financeira pelo qual atravessa o país; o fato de o estudante ter de escolher a carreira muito jovem e a falta de atratividade dos modelos de ensino. Em 2010, esses alunos ingressaram em 24.603 cursos de 2.209 instituições de ensino superior. Entre as desistências, 84,4% eram de alunos matriculados em instituições privadas (o equivalente a 1.161.836 pessoas) e 16,6% em públicas, o que representa, em números absolutos, 230.750 pessoas. Veja o índice de desistência por ano; maior incidência é no 2º ano Karina Almeida/ G1 A maior taxa de desistência (16,7%) ocorreu quando estes universitários estavam no segundo ano do curso. No primeiro e no terceiro anos, o índice girou em torno de 10%. A menor desistência, de 3,5%, foi registrada no último ano do curso. Em seis anos, o Inep registrou 1.081 mortes de universitários que se matricularam em 2010. “Acho o número de 55,6% [de desistência] bem alto, mas há 10 ou 20 anos possivelmente era mais alto, o que nem sempre é negativo. O desafio agora é garantir a permanência do aluno no ensino superior, a maioria na rede privada e grande parte de baixa renda”, afirma Ernesto Faria, diretor executivo do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede). Países da Europa, por exemplo, têm taxas muito mais altas de conclusão no ensino superior. Como parâmetro, 80% dos estudantes de ingressaram na universidade na França em 2008 concluíram o curso quatro anos depois. Ainda de acordo com dados do Education at a Glance 2013, a taxa de conclusão em países como Bélgica, Finlândia, Turquia, Reino Unido e Holanda ultrapassa a casa dos 70%, no mesmo período. Administração no topo Em números absolutos, o curso com mais desistentes foi o de administração, seguido por direito, engenharia, pedagogia e ciências contábeis. Esses são também os cursos que mais tiveram ingressantes em 2010. O G1 considerou a área dos cursos de graduação segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para fazer o levantamento, já que os nomes das formações não seguem um padrão entre as instituições de ensino superior. Considerando apenas administração, foram quase 297 mil alunos matriculados em 2010. Até 2015, porém, houve mais de 182 mil desistências, ou 61,5% to total de matrículas. Assim como na média geral do ensino superior, o maior desfalque no curso aconteceu no segundo ano, com 56,6 mil saídas. Veja as desistências nos cursos que mais tiveram ingressantes em 2010 Juliane Monteiro/G1 Entre todos os cursos acompanhados pelo Inep, apenas dois tiveram 100% de desistência: química orgânica e mercadologia (marketing). As turmas, porém, eram pequenas, já que apenas 69 e 66 alunos se matricularam nos cursos em 2010, respectivamente. As formações com menos desistências também tiveram poucos alunos. São elas: formação militar, com 22 ingressantes em 2010 e apenas duas desistências (9,1%), e ciência militar, com 34 matrículas e duas saídas (5,9%). Já o curso de medicina se sobressai, pois o número de ingressantes em 2010 foi alto (20,3 mil), mas o de desistências até 2015 foi baixo (4,5 mil, ou 22,2%). A formação está entre as 11 com menos desistências entre todos os cursos. Apenas 14 dos 301 cursos têm menos de 30% de desistência. Foi a primeira vez que o Inep fez esse acompanhamento da trajetória dos universitários. De acordo com o instituto, os dados referentes ao ano de 2016 devem ser divulgados em dezembro deste ano. O Inep também vai avaliar, em uma próxima etapa, se vai considerar apenas como sucesso na graduação a conclusão do curso da primeira matrícula, como é feito atualmente, ou a conclusão de algum curso de graduação. Entre as desistências, 84,4% eram de alunos matriculados em instituições privadas e 16,6% em públicas Cecília Bastos/USP Imagens Quais são os motivos? Segundo o Inep, não é possível afirmar que o indicador está ligado à qualidade do ensino superior porque o estudo não avaliou os motivos da desistência. De acordo com o governo, a desistência pode estar associada a uma escolha não adequada feita pelo aluno, seja pela área ou pelo grau de dificuldade do curso, ou até por questões econômicas. Ernesto Faria explica que este pode ser um reflexo da expansão do acesso ao ensino superior na última década que trouxe vantagens, mas, por outro lado, escancara as deficiências de aprendizagem na educação básica. “Este número retrata como a cultura de chegar ao ensino superior é recente no Brasil, que vive um gargalo na educação básica. O trabalho de expansão do país de acesso ao ensino superior foi interessante, mas mostra um gap de aprendizagem”, afirma Ernesto Faria. Faria explica que muitas universidades particulares dão reforço para que os calouros consigam acompanhar a turma e é preciso garantir que as instituições consigam, de fato, qualificar os estudantes para o mercado de trabalho. “Este é o desafio.” Para Sérgio Firpo, professor de economia do Insper, a alta taxa de desistência, entre outros motivos, também está ligada ao modelo de ensino superior brasileiro, que obriga o estudante a escolher uma carreira muito cedo, entre 17 e 18 anos, quando se espera que ele tenha concluído o ensino médio. “Aos 17 anos, escolher o que você quer para os próximos 50 é meio cruel. Às vezes, é necessário um pouco mais de maturidade. Essa incerteza gera uma alta rotatividade", diz Sérgio Firpo, professor do Insper Neste sentido, Firpo lembra que o modelo americano é mais flexível, pois permite que o aluno se especialize ao longo do curso superior e o desobriga a optar por uma carreira logo no início. O economista não vê como desperdício de dinheiro público as desistências de 16,6% das matrículas em instituições públicas. “O que pode ser um aparente desperdício pode ser um investimento da sociedade de que o aluno se torne um bom profissional. Esse ‘desperdício’ é uma forma de oferecer uma escolha.” Firpo diz que coibir esta rotatividade é muito difícil, pois qualquer medida que obrigue o aluno desistente de uma vaga em universidade pública a ressarcir o dinheiro pode aumentar ainda mais a desigualdade entre ricos e pobres. Desistência é menor entre contemplados por programas Rodrigo Capelato, diretor executivo do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior (Semesp), reforça que as desistências podem estar relacionadas ao fato de o aluno, oriundo da rede pública de ensino, chegar ao ensino superior mal preparado e com dificuldades de acompanhar o curso. E até por isso, na visão dele, é papel das universidades melhorar o engajamento com os alunos e enxergá-los de forma individualizada para garantir a permanência. "Hoje em dia, é muito mais difícil fazer o aluno gostar do curso do que antes. Por isso, é preciso pensar em inovações na sala de aula, mudança de currículo, trabalhando com projetos em vez de disciplinas, inserção de tecnologia, entre outros", afirma Rodrigo Capelato. O diretor lembra, no entanto, entre os alunos beneficiários de programas federais de acesso como Fies e Prouni, os índices de evasão estão abaixo da média. Um levantamento feito pelo Semesp apontou que a desistência entre os ingressos no ensino superior em 2010, considerando os cinco anos seguintes, entre os alunos contemplados pelo Fies foi de 34%, e 37% entre os beneficiados pelas bolsas do Prouni. De jornalismo a relações internacionais Um dos que fazem parte da estatística de desistência apresentada pelo Inep é Victor Bussiki, de 26 anos, que começou a cursar jornalismo em uma instituição particular de São Paulo em 2010, mas abandonou no segundo ano. Victor Bussiki na sede da ONU Arquivo pessoal “Quando você sai do ensino médio não conhece a carreira em profundidade, escolhe por afinidade. Eu gostava da área de humanas e gostava de escrever, mas quando fiz estágio vi que não gostava da atividade profissional.” Apesar de não estar feliz, Vitor disse que precisou de coragem para abandonar o curso, principalmente porque teria de retornar ao mundo do cursinho e dos vestibulares. Porém, o apoio dos pais facilitou a decisão. Depois de uma orientação vocacional, fez um cursinho intensivo e prestou vestibular para o curso de relações internacionais. Vitor se formou em 2015 e hoje se prepara seguir a carreira diplomática estudando para o concurso do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty. Ele conta que está satisfeito com a nova escolha. “O fato de os alunos saírem do ensino médio mal informados sobre o mercado de trabalho faz com que cometam erros e entrem em cursos em que não tenham qualquer afinidade. O problema é que tem gente que não desiste do curso, mesmo sem gostar", diz Victor Bussiki.
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13/07 - Novata entre os melhores do mundo no futebol, Rússia mantém seleção de 'craques' na literatura
Três especialistas brasileiros em literatura russa explicam a relevância de dez dos principais escritores da Rússia, e quiz quer saber se você sabe quem escreveu qual livro. Escritores russos que entraram para a história da literatura mundial Claudia Peixoto/G1 No centro dos holofotes mundiais há quase um mês, a Rússia tem surpreendido ao mostrar um bom futebol na Copa do Mundo de 2018. A seleção anfitriã ficou entre as oito melhores do torneio, uma conquista inédita que o país só conhecia em outras áreas, entre elas a literatura, onde coleciona quatro prêmios Nobel. Os escritores russos são tão importantes para o país que o treinador da equipe de futebol, Stanislav Cherchesov, chegou a citar um deles na entrevista coletiva antes do jogo das quartas de final: "A brevidade é irmã do talento, como dizia Anton Tchekhov", disse Cherchesov, após dar uma resposta curta a um dos jornalistas na entrevista. Tchekhov, assim como os outros nove escritores russos listados abaixo, pode ser comparado à seleção brasileira de Telê Santana: não levou a Copa do Mundo de 1982, mas jamais deixa de ser citada entre as melhores da história. QUIZ: Quem escreveu qual obra? Para entender a importância deles para a literatura mundial, e o que sua obra ensina sobre a Rússia, o G1 ouviu três especialistas na área: Mário Ramos Francisco Júnior, professor de literatura russa da Universidade de São Paulo (USP) Daniela Mountian, doutora em literatura russa pela USP e dona da Editora Kalinka, especializada em literatura russa Rubens Figueiredo, tradutor das obras de Nikolai Gógol do russo para o português Lev Tolstói: o grande romance De acordo com o professor Mário Ramos Francisco Júnior, da USP, o nome de Lev Tolstói, que morreu em 1910, está ligado ao fim movimento do Realismo russo, e também à tradição do grande romance. Principais obras: "Guerra e Paz" e "Anna Karénina" "Trata-se de romancista que influenciou escritores do mundo inteiro no decorrer do século XX, seja pelo conteúdo de suas obras, em sua posição contra a guerra e em busca de uma verdade interior mais profunda e humana, seja no plano formal, com romances que tratam de questões históricas ou repensam a tradição do realismo europeu que influenciava os escritores russos da época." "A obra de Tolstói valoriza os elementos mais profundos da cultura russa, principalmente, a figura do camponês, visto por ele como o protótipo mais verdadeiro da alma russa." - Mário Ramos Lev Tolstói (1828-1910) Autor desconhecido (1910) Fiódor Dostoiévski: o pensamento russo Ao lado de Tolstói como dois enormes nomes da literatura mundial, Dostoiévski impõe "um novo tipo de realismo, muitas vezes chamado de realismo profético", explica Ramos. "Seus romances mostram, na contramão do realismo europeu, maior preocupação com o plano de discussão das ideias do que com o atrelamento direto à realidade." Principais obras: "Crime e Castigo" e "Irmãos Karamázov" O professor da USP explica que o escritor criou um sistema de construção do romance "em que não há sobreposição de vozes, sequer a do narrador, principalmente porque cada personagem, essencialmente, representa uma ideia (daí também a denominação de romance de ideias)". Isso foi chamado pelo pensador russo Mikhail Bakhtin de polifonia. "Com Dostoiévski, o leitor poderá penetrar mais profundamente naquilo que chamamos de 'pensamento russo', ou seja, na visão de mundo daquela cultura." Fiódor Dostoiévski (1821-1881) N. Leybin (1858) Anton Tchekhov: contos "Tchékov é incontestavelmente um dos maiores contistas da literatura mundial", define Mário Ramos. Para o professor da USP, a maior influência que ele teve em escritores do mundo inteiro vem de sua "concisão e objetividade narrativa no gênero do conto (mais precisamente o conto curto)". Principais obras: "A Dama do Cachorrinho" (contos) e "As três irmãs" (teatro) De acordo com ele, os contos e textos dramáticos de Tchékhov mostram ao leitor "uma grande quantidade de personagens inspiradas nos homens russos comuns do final do século XIX, muitas vezes da aristocracia decadente pré-revolução". Anton Tchekhov (1860-1904) P. I. Seryogin (1897) Vladímir Maiakóvski: poesia Maiakóvski é citado pelos especialistas como um dos mais importantes poetas russos. De acordo com Ramos, sua contribuição aconteceu durante o período das vanguardas, no início do século XX. "Muitas vezes visto como poeta panfletário, Maiakóvski também foi um inovador no plano da linguagem poética, participando de muitos dos experimentos dos vanguardistas russos", diz Ramos. "O poeta é fundamental para a compreensão da relação entre arte e revolução socialista, nas primeiras décadas do século XX. Toda sua produção lírica é de grande importância." Vladímir Maiakóvski (1893-1930) Desconhecido (por volta de 1920) Anna Akhmátova Assim como Maiakóvski, Anna Akhmátova é considerada uma das maiores poetas da língua russa, segundo Daniela Mountian, dona da Editora Kalinka. A especialista explica que a obra de Akhmátova faz parte de uma corrente modernista chamada "acmeísmo", nos anos 1910. "Ao lado dos poetas Nikolai Gumilióv e Óssip Mandelstam, ela buscou trazer à poesia elementos mais simples, pautados da realidade, menos metafóricos, como uma resposta ao simbolismo", diz Daniela. "Mas a poética de Akhmátova não pode ser reduzida a isso: seu lirismo ultrapassa qualquer escola, definindo uma trajetória particular que transitou por diversos gêneros." De acordo com Daniela, a obra Akhmátova deu modernidade a elementos da tradição popular e religiosa da Rússia. "Ela soube ouvir os cantos antigos e convertê-los numa poética quase minimalista", diz. "Em Réquiem, nem a dor da mulher à espera de um momento com seu filho preso, no ápice do terror stalinista, tornou seu estilo empolado. É no íntimo da realidade que se concretiza seu lirismo." Principais obras: a antologia de poemas "Réquiem", que conta com duas edições em português; um dos poemas de Akhmátova dedicado à soprano russa Galina Vichniévskaia também foi traduzido em uma antologia de poesia russa "Infelizmente, no Brasil quase não há traduções de Akhmátova, assim como acontece com outros grandes poetas russos", afirma Daniela. Ela afirma, porém, que a obra da poeta entrou para o cânone literário mundial, principalmente seu "Poema sem herói". Além disso, a imagem dela também entrou para a história, já que ela foi retratada por vários pintores, entre eles Modigliani. Anna Akhmatova (1889-1966) Desconhecido (1906) Nikolai Gógol O professor Mário Ramos afirma que Gógol faz parte do período de formação da literatura russa moderna, no início do século XIX, e que, ainda naquele século, já era considerado por muitos escritores russos um dos maiores influenciadores da literatura do país. Principais obras: "Almas mortas"e "O capote" De acordo com Rubens Figueiredo, que recentemente traduziu "Almas mortas" do russo diretamente para o português, pela Editora 34, o tema central da obra "era o regime de servidão, que ainda vigorava na Rússia, a exemplo de vários países, e que muito se assemelhava à escravidão, também em vigor, na época, em vastas regiões do mundo". Ramos aponta que o autor se inspirou no folclore e em elementos presentes "nas raízes da cultura russa" para "fazer sua literatura crítica ao próprio momento histórico". Figueiredo lembra, ainda, que Gógol é muitas vezes apresentado "como uma figura enigmática", porque seu romance faz uma denúncia "incisiva" da servidão, mas o próprio autor "jamais se declarou explicitamente contra esse regime de trabalho e, ao contrário, se manifestava favorável à autocracia tsarista e contrário a mudanças políticas". Esse "enigma", porém, pode ser compreendido não com foco "no escritor Gógol", mas sim "na experiência coletiva que soube tão bem se exprimir por meio de sua obra", explica o tradutor. "Ler Gógol é penetrar na alma da Rússia, por meio da impostura e do humor", resume Ramos. Nikolai Gógol (1809-1852) Vasily Mate (data desconhecida) Maksim Górki Além de escritor, Górki também foi um dramaturgo. De acordo com Daniela Moutian, ele teve origem humilde e foi autodidata, e criou retratos "realistas e tocantes de camadas marginalizadas da sociedade russa, vistas em suas contradições, o consagraram". Ela afirma que algumas de suas obras podem ser consideradas "neorromânticas". Principais obras: "Pequenos burgueses" (teatro) e "A mãe" (romance) Maksim Górki (1868-1936) Herman Mishkin (por volta de 1906) Ivan Turguêniev O escritor, nascido há 200 anos, Ivan Turguêniev pode ser considerado um representante do realismo, mas, de acordo com Daniela, sua obra, que segue um "estilo esmerado", contém traços do romantismo. As questões que ele tocou em seus livros ainda se mantêm relevantes, diz ela. "Mas seria difícil limitá-lo a uma escola, pois sua escrita refinada e concisa traz elementos modernos. Também poeta, Turguêniev foi um estilista de mão cheia, o que o tornou o escritor russo mais apreciado pelos europeus no século 19, época em que a literatura russa ainda não contava com o status que possui hoje." Principais obras: "Pais e filhos" e "Memórias de um caçador" A editora explica que esses dois romances de Turguêniev tiveram grande impacto em sua época. "Pais e filhos" trouxe Bazárov, um personagem niilista "que se transformou em um dos personagens mais icônicos da literatura russa". Já "Memórias de um caçador" é uma coletânea de 25 contos que teve como tema a "realidade brutal dos camponeses" e "é considerado um dos propulsores do fim do regime de servidão na Rússia, tanto que o autor chegou a ficar em prisão domiciliar". "Ao ler as obras de Turguêniev, entramos em contato com várias esferas da realidade russa. Desde a vida de camponeses de aldeias remotas, até grandes discussões políticas que marcaram sua geração." Ivan Turgenev (1818-1883) Tucker Collection (data desconhecida) Mikhail Bulgákov Daniela Moutian explica que Bulgákov, romancista, contista e dramaturgo, não se filiou a nenhuma corrente em particular, mas foi um dos grandes escritores do modernismo russo. Principais obras: "O mestre e Margarida" e "Um coração de Cachorro e outras novelas" Segundo a editora, "O mestre e Margarida" é uma das obras mais relevantes do século 20 e pode ser descrita como "uma espécie de Fausto gogoliano". "Muitas de suas obras foram consagradas, mas talvez seja O mestre e Margarida a que mais conquistou leitores. As duas dimensões do livro – Mefisto em plena União Soviética e Cristo na antiga Palestina – trabalham com arquétipos da literatura universal." De acordo com ela, ao ler Bulgákov, o leitor pode encontrar as sucessão de mudanças da Rússia soviética dos anos 1920 e 1930 retratadas seguindo "procedimentos da forte tradição do humor russo, sobretudo de Nikolai Gógol". Mikhail Bulgákov (1891-1940) Desconhecido (anos 1910) Aleksandr Púchkin Segundo Ramos, Púchkin é considerado o grande "pai" da literatura russa, por ter atuado como "formador de uma língua literária naquele país". Principais obras: "A filha do capitão e "Dama de espadas" (contos) são os primeirais livros traduzidos para o português "Escrevendo em poesia ou em prosa, Púchkin é o grande centro da cultura russa até hoje, considerado pelos russos como um dos principais representantes de seu pensamento", diz o professor da USP. Segundo ele, Púchkin foi também um inovador, "um escritor que, consciente de que era responsável por uma literatura em formação, deveria repensar todos os gêneros literários e propor um novo modelo de literatura para o país, capaz de representá-lo, ao mesmo tempo em que absorveria também as influências europeias". Ramos afirma que todas as pessoas que queiram "compreender mais profundamente a formação da Rússia moderna" devem ler a obra de Púchkin. Aleksandr Púchkin (1799-1837) Vasily Tropinin (1905)
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13/07 - Menino brasileiro vai até Nova York para pedir que o português se torne língua oficial da ONU
Aos oito anos, João Paulo Guerra Barrera já publicou dois livros bilíngues, em português e inglês; em 2017, ele venceu um concurso da Nasa ao escrever uma história que se passa em uma estação espacial. João Paulo Guerra Barrera, brasileiro de oito anos, mostra um de seus livros publicados a Jayathma Wickramanayake, secretária geral da ONU para a Juventude, em Nova York Divulgação/Fernanda Calfat A Organização das Nações Unidas (ONU) recebeu, nesta quinta-feira (12), em Nova York, a visita de um brasileiro de apenas oito anos, mas com grandes planos. Vestindo terno e gravata, o pequeno João Paulo Guerra Barrera, que tem dois livros publicados, dá palestras pelo Brasil e já ganhou um prêmio da Nasa, entregou à secretária geral da ONU para a Juventude uma carta pedindo a inclusão do português entre as línguas oficiais das Nações Unidas. "Falei sobre ciências, tecnologia, inovação, sobre proteger o planeta, reciclar as coisas e ensinar o que sabemos, ter respeito pelas pessoas e ser feliz", explicou ele após a visita. A conversa também girou em torno da Agenda 2030, que tem 17 objetivos globais (veja quais são). "Não importa a sua idade o importante é você começar a transformar seus sonhos em realidade." - João Paulo Guerra Línguas oficiais Atualmente, a ONU tem seis línguas oficiais: árabe chinês espanhol francês inglês russo As cinco últimas são línguas oficiais desde a fundação da ONU, em 1946 – o árabe foi incluído em 1973. Todas elas também são "línguas de trabalho" da entidades e dos demais organismos ligados a ela. Isso quer dizer que todos os milhares de documentos estão disponíveis em todas essas línguas. Com 223 milhões de falantes em 15 países (como língua nativa, língua oficial ou língua estrangeira), segundo dados da publicação "Ethnologue: Languages of the World" ("Línguas do Mundo", em inglês), o português fica à frente do russo e do francês, com 154 milhões e 76,8 milhões de falantes, respectivamente. A proposta de João é que o português também entre nessa lista. Para isso, ele escreveu uma carta de próprio punho endereçada a António Guterres, o secretário geral da ONU. "Eu tenho um pedido especial para o senhor", escreveu o garoto. "Por favor, inclua o idioma português como língua oficial da ONU, vai nos tornar mais fortes para defender as nossas ideias e projetos para deixar o mundo um lugar melhor para todos." Carta do menino brasileiro João Paulo Guerra Barrera, de oito anos, pedindo a António Guterres que inclua o português na lista de línguas oficiais da ONU Divulgação/Fernanda Calfat Secretaria para a Juventude Nesta quinta-feira, a carta foi entregue oficialmente durante um encontro de João com Jayathma Wickramanayake, secretária geral da ONU para a Juventude. O garoto também recebeu um pin de 17 cores, que representam a Agenda 2030 pelo desenvolvimento sustentável. “A Agenda 2030 tem 17 objetivos de desenvolvimento sustentável que são claramente evidenciados pelas ideais e atitudes do João Paulo", afirmou Jayathma, segundo comunicado da equipe de João. A secretária prometeu encaminhar a carta a Guterres. "Mesmo com 8 anos João Paulo consegue transmitir de maneira simples e lúdica que esses objetivos são possíveis para os jovens do Brasil e do mundo", continuou ela. Neste ano João Paulo participa mais uma vez da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece em agosto.
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12/07 - Índice de qualidade da educação de 2017 será divulgado na segunda quinzena de agosto, diz ministro
Criado em 2005, Ideb é divulgado a cada dois anos pelo Ministério da Educação, a partir dos resultados da Prova Brasil e de indicadores de rendimento escolar nos ensinos fundamental e médio. O ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, afirmou nesta quinta-feira (12) que o governo federal vai divulgar os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) na segunda quinzena de agosto. “Nós ainda estamos contabilizando. Os resultados individuais da proficiência foram divulgados para cada escola, para que eles tivessem o direito de apresentar recursos”, disse ele durante evento em Campinas (SP). Segundo Silva, o cálculo do Ideb só será feito depois que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) avaliar e responder a mais de mil recursos interpostos pelas escolas. "Muitas vezes a escola fala de fatores que possam ter influenciado no resultado. A escola pode informar, por exemplo, que o resultado pode ter tido algum desvio porque faltou energia, faltou aluno. Tem escola por exemplo que tem menos alunos participando. São várias possibilidades. Mas é um procedimento padrão, sempre existiu", afirmou o ministro. Ministro da Educação esteve em Campinas nesta quinta-feira Reprodução/EPTV O Ideb foi criado em 2005, depois que a Prova Brasil passou a ser censitária para o ensino fundamental, ou seja, aplicada em todas as escolas do país. Entre 2005 e 2015, o número de escolas que já conseguiram atingir esse patamar mínimo de qualidade cresceu 66 vezes. Em 2005 foram 116, em 2015, 11.112, de acordo com um estudo do Iede (Instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) obtido pelo G1. Mas outras 27.349 ainda precisam alcançar esse índice. A última edição da Prova Brasil terminou de ser aplicada neste mês, e os resultados serão divulgados somente no segundo semestre de 2018. O que é o Ideb? É um indicador geral da educação nas redes privada e pública, uma espécie de nota. Para chegar ao índice, o MEC calcula a relação entre rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e desempenho em português e matemática na Prova Brasil, aplicada para crianças do 5º e 9º ano do fundamental e do 3º ano do ensino médio. O Ideb é divulgado a cada dois anos em âmbito nacional, mas também para cada escola, rede, município e estado. Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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12/07 - Quando crianças controlam sua própria cidade
Projeto que simula cidade em miniatura ajuda alunos de 12 anos a aprender a viver em sociedade, ter conduta ética numa economia de consumo e ver como é a vida adulta. Mais uma inovação da Finlândia em educação. Há tempos que a Finlândia tem fama de implementar métodos de ensino inovadores – e o programa Me&MyCity (eu e minha cidade) não é uma exceção. O projeto cria um ambiente para adolescentes que simula uma cidade em miniatura, onde alunos trabalham em uma profissão, são cidadãos e consumidores. Em um grande salão localizado em um edifício industrial nos arredores da cidade portuária de Vaasa, parece estar acontecendo uma pequena feira. Ela foi dividida em estandes, cada um deles representando uma das empresas patrocinadoras do evento. Em um estande patrocinado por uma rede de supermercados, uma menina arruma prateleiras enquanto outra inicia o computador e verifica o estoque. Em outro, que leva a logomarca de uma grande empresa local de engenharia, três alunos vestem capacetes e coletes refletivos para fazer a inspeção num local. Já em outro local do evento, um grupo de estudantes trabalha para publicar um jornal. Hoje, 55 alunos da sexta série, de cerca de 12 anos, participam do projeto. Eles vêm de três escolas da região. Hannah Sandberg trabalha para o programa Me&MyCity e está no local para ajudar as crianças. Ela diz que, por meio do projeto, os participantes estão aprendendo habilidades importantes para a vida. "As crianças aprendem sobre a sociedade e como é ter um emprego", afirma Sandberg. "Elas recebem um salário, pagam impostos, têm tempo livre e obrigações laborais. Assim, aprendem como é ser um adulto." Como funciona a sociedade Ela conta que o objetivo do programa é fazer com que eles aprendam como a sociedade funciona e que existem diferentes tipos de empresas e instituições oficiais, como a prefeitura. "Algumas das crianças aprendem como é trabalhar para a cidade", diz. O programa Me&MyCity começou em 2009 e se expandiu para outras cidades em toda a Finlândia. Ele é executado em conjunto com universidades finlandesas e atrai grandes patrocinadores. Em Vaasa, a principal cidade da região da Ostrobothnia, cerca de 4.500 estudantes participam anualmente do programa. Kukka-Maaria Kallio é a coordenadora regional do Me&MyCity na Ostrobothnia, localizada na parte central da Finlândia. Ela diz que cerca de 250 mil estudantes em toda a Finlândia já participaram do programa. Alguns estudantes pesquisam previamente sobre as empresas que estarão representando e fazem contato com elas antes de participar dos eventos. "Nós recebemos um e-mail da nossa parceira Wartsila dizendo que Elin, uma estudante que participará do Me&MyCity para trabalhar como presidente da empresa por um dia, perguntou sobre a filosofia da companhia e qual mensagem deveria compartilhar com seus colegas de sala", conta Kallio. Tilde e Alexander têm 16 anos e participam do programa há alguns anos. Hoje, eles orientam os alunos e os ajudam a realizar as tarefas. "O programa ajuda os alunos a se tornarem mais sociais", diz Alexander. "E também os ajuda a adquirir confiança, porque você não conhece todo mundo. Assim, você pode ter contato com novas pessoas, aumentando sua confiança." Ele diz que, ao participar do programa pela primeira vez, trabalhou em um dos bancos. "Foi divertido, mas não era realmente a minha paixão", salienta. "Hoje, seria mais provável eu trabalhar na ABB [uma empresa de energia alternativa local]." Tilde afirma também que sua experiência no programa mudou suas ambições em termos de trabalho. "Quando eu estava na sexta série, eu pensava em trabalhar nos Correios. Mas, hoje, eu acho que trabalharia na Wartsila, porque me interesso por engenharia." Vocação Hannah Sandberg diz que é bom que alguns alunos descubram qual trabalho não querem fazer quando crescerem. Eles também aprendem que, mesmo em um trabalho que gostam, nem tudo é sempre maravilhoso. "Às vezes, eles não gostam de todas as tarefas que têm que fazer, e eu posso dizer a eles que na vida real é assim também. Você não gosta de tudo que faz, mas esperamos que goste da maior parte", conta. O programa Me&MyCity para os alunos da nona série também inclui orientação profissional. Os alunos participam de uma dramatização onde gerenciam empresas e competem entre si. A equipe vencedora é aquela que alcança o maior lucro operacional e a melhor reputação. Kukka-Maaria Kallio explica que a conduta corporativa ética – responsabilidade para com a sociedade e meio ambiente – é uma parte importante do conceito geral do programa. "Nós estamos cuidando do futuro. E todos estão preocupados com as crianças e sua participação na sociedade. Trata-se de tomar ações responsáveis visando o futuro e sociedade", conclui.
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12/07 - MEC prevê implantar faculdade no CNPEM e disponibiliza verba de R$ 15 milhões
Segundo o ministro Rossieli Soares, verba já está disponível para utilização. Titular da pasta visitou os laboratórios do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais nesta quinta. Ministro da Educação esteve em Campinas nesta quinta-feira Reprodução/EPTV O ministro da Educação, Rossieli Soares, afirmou nesta quinta-feira (12) que prevê implantar, "no futuro", uma faculdade no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), com sede em Campinas (SP). A ideia é criar uma unidade de ensino formadora, parecida com uma universidade. De acordo com o titular da pasta, o investimento inicial para o projeto é de R$ 15 milhões, que já estão disponíveis para utilização. No entanto, não há prazo definido para a mudança começar a ser implementada. "Recentemente, o ministério assinou um termo para que o próprio CNPEM possa no futuro se tornar uma instituição formadora como uma universidade, com apoio do Ministério da Educação, inclusive com recursos do ministério, inicialmente na ordem de R$ 15 milhões. Estamos em trâmites finais, o recurso já está disponível para utilização", afirmou o ministro. O CNPEM informou que não tem autorização do Ministério da Educação para divulgar detalhes do projeto, mas a ideia é concentrar um centro de formação de nível superior para aproveitar os profissionais e os laboratórios que já existem no espaço. Soares fez a primeira visita ao CNPEM desde que assumiu a função de ministro da Educação. Ele visitou os quatro laboratórios nacionais operados pelo CNPEM – Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Bioetanol (CTBE) e Nanotecnologia (LNNano). O novo diretor geral do órgão, Antonio José Roque da Silva, assumiu o cargo nesta quinta-feira no lugar do interino Adalberto Fazzio. "Aqui [no CNPEM] nós temos muitas questões de vanguarda, onde a pesquisa precisa ser incentivada. Melhorar por exemplo a parceria na distribuição de bolsas para graduação e pós-graduação é fundamental para o país e para o CNPEM. Também estive discutindo com algumas pessoas um programa para incentivar os cursos de verão, com apoio do Ministério da Educação. Acho que são pontos importantes com o CNPEM", explicou Soares. O CNPEM é uma organização social qualificada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e voltada à pesquisa em tecnologia nas áreas de nanociências, materiais, ciências da vida, física e química. Obras do laboratório Sirius no CNPEM, em Campinas Renan Picoretti/CNPEM/LNLS Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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12/07 - Filme sobre Malala divulga teaser no dia do aniversário da ganhadora do Nobel da Paz
'Gul Makai' adota pseudônimo usado pela paquistanesa enquanto escrevia sobre a ocupação do Talibã em sua região no Paquistão quando tinha 11 anos. "Gul Makai", filme sobre a ganhadora do Nobel da Paz Malala Yousafzai, publicou seu primeiro teaser nesta quinta-feira (12), dia em que a paquistanesa completa 21 anos. Assista ao vídeo acima, sem legendas. O filme, que tem a atriz Reem Shaikh no papel da protagonista, conta a história da época em que Malala, com 11 anos de idade, começou a escrever para a BBC Urdu sobre os abusos cometidos pelo Talibã na região em que morava, Suat, no Paquistão. Gul Makai, nome dado ao filme, era o pseudônimo usado por Malala em suas publicações. Em 2012, ela levou um tiro na cabeça após falar publicamente sobre o direito de garota à educação. Durante passagem no Brasil, ela disse ao G1 que ensinar às meninas que elas têm direitos é 'crucial'. Leia entrevista exclusiva. A produção, dirigida pela paquistanês Amjad Khan, ainda não tem data de estreia. Reem Shaikh interpreta Malala em 'Gul Makai' Reprodução/YouTube/Tekno Films
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12/07 - Brasil ganha cinco medalhas em Olimpíada Internacional de Matemática
59ª edição do evento realizada na Romênia reuniu estudantes de todo o mundo; Brasil ficou na 28ª posição no ranking geral dos países. Equipe da IMO 2018 que conquistou cinco medalhas e uma menção honrosa The Red Lynx Photography/ Divulgação A delegação brasileira ganhou cinco medalhas, uma de ouro e quatro de bronze, na 59ª Olimpíada Internacional de Matemática (IMO 2018, na sigla em inglês) realizada na cidade de Cluj-Napoca, na Romênia. O evento reuniu 594 estudantes do mundo todo. Entre as medalhas, o ouro foi conquistado pelo estudante paulista Pedro Lucas Sponchiado, de 17 anos, do Colégio Etapa. Ele obteve 35 dos 42 pontos possíveis. Os demais alunos da equipe garantiram medalhas de bronze. São eles: Bruno Brasil Meinhart, de 17 anos, de Fortaleza; Bernardo Peruzzo Trevizan, de 16 anos, de SP; Pedro Gomes Cabral, de 15 anos, de Fortaleza; e André Yuji Hisatsuga, de 18 anos, de SP. O estudante Lucas Hiroshi Hanke Harada, de 17 anos, de SP, ficou com uma menção honrosa. Com esse desempenho, o Brasil garantiu o 28º lugar entre os 107 países participantes. A equipe do Brasil foi liderada pelos professores Regis Prado Barbosa, de SP, e Armando Barbosa Filho, de Fortaleza. “Os resultados obtidos nesta edição da IMO demonstram o amadurecimento da equipe olímpica. É importante ressaltar que o ouro é fruto de uma rotina intensa de treinamentos, que os professores têm aperfeiçoado a cada ano, inclusive com a presença de convidados estrangeiros, especialistas em competições internacionais”, disse Régis Prado Barbosa, líder da delegação brasileira. O Brasil participou da IMO pela primeira vez em 1979 e, desde então, obteve dez medalhas de ouro, 43 medalhas de prata, 77 de bronze e 33 menções honrosas.
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12/07 - Gol de Coutinho contra a Suíça não cai no Enem, mas o do Paulinho contra a Sérvia pode cair; entenda a razão
Para os vestibulandos que amam futebol e odeiam física, a dica na hora da prova é gravar o movimento da bola chutada por Paulinho na memória, e esquecer a curva criada por Coutinho. Fotos mostram os momentos em que Philippe Coutinho e Paulinho chutam as bolas que balançaram as redes de Suíça e Sérvia, respectivamente, na Copa do Mundo na Rússia Marius Becker/AFP e Eugênio Sávio/Arquivo pessoal A eliminação do Brasil na Copa do Mundo da Rússia deixou lições ao treinador Tite e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas os feitos da seleção canarinha em campo também podem ensinar muito aos estudantes, especialmente se eles estão se preparando para o vestibular. A principal lição na hora de estudar física é: esqueça o golaço que Philippe Coutinho fez na partida de estreia do Brasil contra a Suíça. Ele foi eleito pela Fifa o mais bonito da primeira fase da Copa do Mundo da Rússia, onde os 32 times marcaram um total de 122 gols em 48 jogos da primeira fase, mas é a física por trás do gol de Paulinho contra a Sérvia que tem mais probabilidade de aparecer nas provas. O motivo é simples: o movimento feito pela bola quando Paulinho encobriu o goleiro sérvio se trata de um lançamento oblíquo, um dos assuntos frequentes das questões de física do vestibular. Já a curva lateral que Coutinho imprimiu em seu chute é na verdade o que os físicos chamam de "efeito Magnus", um assunto que é complexo demais para estudantes do ensino médio e, portanto, que não é pedido nas provas da Fuvest, do Enem e de outros vestibulares. Para explicar como o lançamento oblíquo aparece nas provas e como alguns gols da Copa podem ajudar a acertar a questão, o G1 ouviu: Emico Okuno, professora de física da Universidade de São Paulo (USP), autora de livros didáticos e co-autora, ao lado do também professor Marcos Duarte, do livro "Física do futebol" (Editora Oficina de Textos) Kevork Soghomonian, professor de física do Cursinho Hexag, autor de livros didáticos e consultor e corretor de vestibulares "É uma questão muito complicada, como a bola de repente faz uma curva", explicou Emico, que hoje tem 81 anos e é santista desde a época de Pelé, ao G1, sobre o chute de Coutinho. Já o corintiano Kevork explica que o lançamento oblíquo aparece bastante nos vestibulares porque ele exige dos candidatos uma série de conhecimentos típicos da física do ensino médio, mais especificamente da cinemática. Por isso, apesar de ser praticamente impossíve o gol em si cair na prova – afinal, as questões do Enem 2018 costumam ser definidas antes da Copa –, o conceito por trás dele é o mesmo. Copa do Mundo pode inspirar questões de vestibular Veja a lista de assuntos a estudar para ir bem nessa área, segundo o professor: vetores cinemática vetorial conceitos preliminares de física (partícula, trajetória, posição, deslocamento escalar e referencial) velocidade média Movimento Retilíneo Uniforme (MRU) Movimento Retilíneo Uniformemente Variado (MRUV) queda livre e lançamento vertical lançamento horizontal lançamento oblíquo No caso do lançamento oblíquo, Kevork diz que as questões pedidas pelas universidades e na prova de ciências da natureza do Enem costumam trazer exemplos inspirados na vida real, como um jato d'água de uma mangueira, o lançamento de uma pedra do topo de um edifício e movimentos existentes em vários esportes, como o corte da bola na rede do vôlei e o lançamento de um martelo. Em todos os casos, o objeto lançado faz uma trajetória curva conhecida por vários nomes, como parábola, elipse ou hipérbole. "Inclusive a reta é uma curva", explica o professor. "É uma curva de raio infinito." Cinco opções de enunciado Kevork indicou que, geralmente, são cinco as propostas típicas de um enunciado de vestibular envolvendo o lançamento oblíquo: altura máxima que a bola atingiu alcance da bola em linha reta a velocidade média em que a bola foi chutada o ângulo formado pelo chute e o início da trajetória o tempo total que a bola levou viajando (ou seja, o "tempo de queda") Veja, no chute de Paulinho, que dados uma questão de vestibular tem mais chance de exigir: Esquema mostra os conceitos de física ligados ao lançamento oblíquo feito pelo chute do Paulinho no jogo do Brasil contra a Sérvia, na primeira fase da Copa do Mundo Igor Estrella/G1 Teste seus conhecimentos Veja, a seguir, exemplos de três questões de vestibular envolvendo lances de futebol (fictícios ou reais, incluindo o "gol que Pelé não fez") e quais conhecimentos elas pediram (as respostas estão no fim da reportagem): Na Unicamp 2012, os candidatos receberam o alcance da bola e uma das alturas na trajetória dela, e precisaram calcular a altura máxima da parábola Reprodução/Comvest Em 2010, o vestibular do segundo semestre da Universidade Federal do Tocantins (UFT) descreveu uma parábola informando a massa da bola, o ângulo do chute e a altura máxima, e pediu o cálculo da velocidade inicial da bola Reprodução/Copese Na Unesp 2012, o famoso "gol que Pelé não fez" em 1970 inspirou uma questão de física, que indicou a velocidade inicial, o tempo de queda e o ângulo du chute, e pediu o alcance (distância horizontal) do chute Reprodução/Vunesp Tendência dos vestibulares A cinemática é uma das três áreas da mecânica. As outras duas são dinâmica e estática e, segundo Kevork, cada vez mais os vestibulares procuram mesclar as áreas. O professor do Hexag cita uma possibilidade de questão usando o gol de Paulinho e extrapolando os conhecimentos de cinemática: "Eles pegariam esse lance do Paulinho e citariam no vestibular, é como se fosse um lançamento oblíquo. E dá para juntar energia, por exemplo. Poderiam pedir energia, a Segunda Lei de Newton, que é dinâmica", diz ele. (A segunda lei de Isaac Newton calcula a força que atua sobre um corpo multiplicando a massa desse corpo e a aceleração que ele adquire; se a massa do corpo for constante, quanto maior a força, maior a aceleração.) O efeito Magnus Essa mescla de subáreas de física pode aparecer no vestibular, mas Kevork descarta o aparecimento de questões inspiradas no gol de Coutinho e em outros gols históricos do tipo, como o de Roberto Carlos, em 1997, contra a França, que já rendeu até palestras sobre o efeito Magnus. Segundo Emico, o "jogo de forças" nessa caso é uma questão complicada demais para o ensino médio. "A força de impulso é dada pelo chute do pé do jogador, que vai impulsionar a bola para a direção do gol. A força de sustentação seria a questão de atrito com o ar", explica ela. Mas existe ainda a questão da rotação da bola sobre o próprio eixo. "Várias vezes o jogador chuta sem rotação e faz gol, mas essa com rotação é complicada, porque a bola faz rotação e de repente faz uma curva e faz gol." Aproximar a física dos jovens O uso do futebol para ensinar física foi uma ideia que surgiu quando Emico e o colega Marcos Duarte produziram uma série de textos que aproximassem os jovens de conceitos da física. A professora da USP, que começou a estudar física em 1957, O resultado foi o livro "A física no futebol", lançado em 2012 com prefácio do ex-jogador e comentarista Tostão e do físico Marcelo Gleiser. A obra depois foi traduzida para o italiano – com direito a prefácio de Roberto Baggio. "É para jovens que odeiam física, que acham que a física não serve para nada, e que adoram futebol. É tentar ensinar como a física pode ajudar no entendimento de uma série de coisas ligadas ao futebol. A física tem tudo a ver com o futebol", diz Emico. No livro, os dois autores explicam os temas da física do primeiro ano do ensino médio usando apenas exemplos ligados ao futebol. Há, por exemplo, um capítulo dedicado apenas à evolução da bola que, segundo ela, a cada ano é alterada para dificultar ainda mais a vida dos goleiros. A difícil decisão dos goleiros na hora de escolher um lado numa cobrança de pênalti é outro dos temas do livro. Capas das edições brasileira e italiana do livro 'Física do futebol', de Emico Okuno e Marcos Duarte Divulgação/Oficina de Textos/Zanichelli Resposta das questões dos vestibulares: 1) Unicamp 2012: B 2) UFT 2010: E 3) Unesp 2012: C
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11/07 - Professores da Unimep cobram reversão de demissões; docentes foram desligados por e-mail, diz associação
Assembleia da categoria estipulou prazo para que reitoria reveja demissões e reabra as negociações. Professores da Unimep realizaram assembleia na terça-feira (10) Adunimep Em assembleia na noite de terça-feira (10), professores da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) estipularam prazo para que a reitoria reverta as demissões em curso. A categoria quer que o processo de desligamento seja encerrado até quinta-feira (12) e que os professores que foram informados da demissão retornem aos postos. Assim, as negociações sobre a crise financeira da instituição seriam retomadas. Segundo o presidente da Associação dos Docentes da Unimep (Adunimep), Milton Souto, cerca de 30 profissionais receberam a informação de que foram demitidos. Alguns foram avisados por e-mail durante a assembleia desta terça, disse o presidente. Souto é um dos desligados. O presidente da entidade informou que a reitoria seria avisada da decisão em assembleia. "Vamos dar mais uma oportunidade [de negociação], mas claro que com anulação e reversão imediata das demissões. E a suspensão das que estão em curso", informou o presidente. Outra reunião será realizada na sexta-feira (13). O G1 entrou em contato com a assessoria da Unimep e do Instituto Educacional Piracicabano da Igreja Metodista (IEP), mas não obteve retorno até a publicação da reportagem. Professores querem que demissões sejam revertidas até quinta-feira Reprodução/Site da Unimep Greve dos professores A situação ocorre logo após os professores da Unimep terem encerrado a greve, que durou pouco mais de 20 dias. A paralisação foi iniciada no dia 11 de junho após a Unimep não pagar os salários de todos os professores no quinto dia útil e, com isso, desrespeitar o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a universidade. No encerramento da greve, que aconteceu após a Unimep ter quitado todos os vencimentos, a diretora do Sindicato dos Professores de Campinas e Região (Sinpro), Conceição Fornasari, disse que a entidade e a reitoria já tinham realizado três reuniões para tentar um acordo sobre a crise financeira que vive a universidade, inclusive para evitar demissões. Dentre as medidas citadas pela reitoria da Unimep ao Sinpro estava a abertura de processo para demissão voluntária, a migração dos professores que estão na carreira antiga para a nova e também a mudança da data do pagamento dos salários. Acordo de pagamento O TAC foi firmado em março deste ano após sete audiências no MPT com funcionários e representantes do Instituto Eduacional Piracicabano da Igreja Metodista (IEP). Os debates, que partiram de uma denúncia formalizada pelos trabalhadores, começaram em 18 de maio do ano passado. No dia 14 de maio, a procuradora do MPT Clarissa Schinestsck assinou um despacho cobrando a apresentação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) atualizado da universidade, uma planilha com nome, CPF, função e salário de todos os funcionários e comprovante bancário de pagamento. O despacho foi emitido após uma notificação da Adunimep à Procuradoria do Trabalho de que os pagamentos de abril não tinham sido feitos no prazo determinado no TAC. A Unimep comprovou o pagamento aos trabalhadores, mas os vencimentos foram quitados no dia 22 de maio, e não no quinto dia útil. Apesar do descumprimento do TAC, o procurador do trabalho, Paulo Crestana, optou por não mover ação de execução de multa, como havia pedido a Associação dos Docentes da Unimep (Adunimep). Crestana deu 20 dias para que as partes realizassem nova tentativa de acordo, já que o IEP pediu uma "negociação mais ampla" sobre a crise que a instituição vive. O prazo venceu no dia 9 de julho. Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba
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11/07 - 'Mais importante do que o recurso é o reconhecimento da causa', diz ativista de SP patrocinada pelo Fundo Malala
Denise Carreira, da Ação Educativa, trabalha com questões ligadas à igualdade de gênero e raça nas escolas; outras duas mulheres brasileiras vão receber apoio. Denise Carreira receberá apoio financeiro do Fundo Malala para fazer trabalho pela educação Bárbara Alves/ Divulgação Denise Carreira, uma das ativistas que será patrocinada pelo Fundo Malala, disse que mais importante do que recurso financeiro, é receber o reconhecimento político sobre a causa. Denise é a coordenadora executiva da Ação Educativa, de São Paulo, uma ONG que tem como um dos pilares a luta pela igualdade de gênero e raça nas escolas. Ensinar às meninas que elas têm direitos é 'crucial', diz Malala 'O discurso dela é importante para as meninas indígenas', diz ativista da BA Além de Denise, que mora em São Paulo, outras duas brasileiras, Sylvia Siqueira Campos, de Pernambuco, e Ana Paula Ferreira de Lima, da Bahia, passarão a integrar a Rede Gulmakai, uma iniciativa do Fundo Malala, que incentiva ações que promovem a educação de meninas em vários países. A paquistanesa Malala Yousafzai anunciou que vai investir US$ 770 mil no Brasil. Ela visita o país pela primeira vez e vai comemorar seu aniversário de 21 anos, nesta quarta-feira (12), no Rio de Janeiro. "O recurso é sempre limitado, o importante é o reforço da agenda da igualdade de raça. O Fundo Malala reconhece e credita a causa a uma luta maior e o reconhecimento político é a grande conquista", diz Denise. Mestre e doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP), Denise tem 51 anos e há pelo menos 30, atua em causas ligadas à igualdade de gênero e à melhoria da qualidade da educação. Ela própria diz que teve de enfrentar barreiras por ser mulher em várias esferas, mas que as visões "tradicionais do que é ser homem ou mulher precisam ser quebradas." O trabalho da Ação Educativa envolve dois eixos: a formação de professores que atuem com a questão de gênero; e a produção de pesquisas que forneçam dados para o embasamento de políticas públicas. "Não há como garantir a educação sem abordar a igualdade de gênero nas escolas. A nossa ação fortalece a agenda de gênero e raça nas escolas. Mas o desafio é abordar estas questões sem que os grupos ultraconservadores estimulem a perseguição dos professores e seus familiares causando pânico social", afirma Denise. Encontro com Malala Denise se encontrou com Malala e contou que a paquistanesa foi gentil e estava interessada em entender quais são os obstáculos do Brasil para oferecer uma educação de qualidade. "Falamos sobre o assassinato de estudantes nas comunidades sobretudo por atuação de milícias, e sobre como estamos vivendo o apronfundamento das desigualdades. Quanto mais desigualdade, mais violência." A Ação Educativa foi procurada pelo Fundo Malala que já tinha traçado um mapeamento da atuação da ONG. Denise ainda não tem detalhes de como vai funcionar o trabalho com as outras ativistas contempladas pelo Fundo, mas adiantou que as articulações começam em agosto e que uma das frentes de trabalho vai ser a de fortalecer a atuação de coletivos feministas e antirracistas que têm mostrado muita visibilidade. "É uma grande orgulho ter essa oportunidade porque a Malala representa um símbolo contra a intolerância, a ignorância e o fundamentalismo que cresceu muito no Brasil. É uma grande oportunidade fazer parte dessa rede de ativistas comprometida com a educação das meninas. Não é o reconhecimento de pessoas, e sim, de lutas coletivas da qual fazemos parte." Denise Carreira está a frente da Ação Educativa, em SP Denise Eloy/ Divulgação Malala discursa em evento em São Paulo nesta segunda-feira, 9 de julho Rovena Rosa/Agência Brasil
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11/07 - Ensinar às meninas que elas têm direitos é 'crucial', diz Malala
Em entrevista exclusiva ao G1 durante sua visita a Salvador nesta terça-feira (10), a paquistanesa que ganhou o Nobel da Paz defendeu a inclusão do ensino sobre a igualdade de gênero nas salas de aula. Malala Yousafzai dá entrevista em Salvador Egi Santana/G1 Na semana em que completa 21 anos, Malala Yousafzai, ativista paquistanesa e ganhadora do Nobel da Paz, conta, em entrevista exclusiva ao G1, que decidiu passar a data ao lado de jovens brasileiras ativistas dos direitos da população indígena e negra. A comemoração acontecerá nesta quinta-feira (12) no Rio de Janeiro, diz ela, e a população não-branca do Brasil entrou no seu foco principal por ser justamente a que mais sofre com a falta de acesso à educação. “Vemos que só 30% das crianças afro-brasileiras terminam a escola. As comunidades indígenas representam 0,5% da população, mas representam 30% dos que estão fora da escola ou são analfabetos. Então existe necessidade de apoio. E o meu objetivo é sempre alcançar as áreas onde o apoio é mais necessário”, afirma ela. A conversa, que durou 15 minutos, ocorreu no pátio de um hotel no Centro Histórico de Salvador, depois de um almoço regado a guaraná e de ouvir a música “Parabéns a você” no batuque do Olodum. Malala visita Centro Histórico de Salvador Nesta terça, Malala anunciou que vai investir US$ 700 mil no trabalho realizado por três ativistas brasileiras, da Bahia, de Pernambuco e de São Paulo. Mas afirmou que ajudar na inclusão das 1,5 milhão de meninas do Brasil que atualmente estão fora da escola é só um passo em seu objetivo final: fazer isso com todas as 130 milhões de meninas nessa situação em todo o mundo. Para cumprir a meta, ela afirma defender esforços em todas as áreas, inclusive a política, com leis que ajudem na evolução da igualdade de gênero. Para a jovem paquistanesa, oferecer informações a meninas sobre sua saúde sexual e sua educação sexual é "crucial", principalmente considerando as meninas que são vítimas de assédio. “Esse ensino só as lembra [as meninas] de que elas têm direitos independentemente de sua origem, ou de seu gênero. Acho que isso é crucial, e se isso for proibido, vai ser um grande desafio para atingir nosso objetivo de igualdade.” Malala Yousafzai dá entrevista em Salvador Egi Santana/G1 Malala se tornou conhecida no mundo todo em 2012, após ser baleada na cabeça por radicais do Talibã ao sair da escola. Ela seguia em um ônibus escolar e seu crime foi se destacar entre as mulheres e lutar pela educação das meninas e adolescentes no Paquistão. Os talibãs são contrários à educação das mulheres. Veja abaixo a entrevista de Malala ao G1: Por que você batizou sua rede com o nome Gulmakai (iniciativa do Fundo Malala que patrocina homens e mulheres que incentivam ou promovem a educação de meninas em vários países), que vem de um período em que você já era uma ativista, mas era anônima para o mundo? Passei por um período muito difícil, assim como muitas outras meninas na nossa região, o Vale do Swat no Paquistão, quando a educação de meninas era completamente banida, então as meninas não podiam ir para a escola e não podiam alcançar seus sonhos. E naquela época achei que precisava levantar minha voz, então comecei a escrever em um blog para a BBC sob o pseudônimo Gulmakai. Esse nome significa centáurea-azul (uma espécie de flor) na nossa língua, mas ele tem um significado maior para mim, que é levantar a voz, que é o ativismo. É assim que as pessoas locais lutam por suas comunidades. E a partir dessa perspectiva eu consegui ver isso globalmente também, porque já fiz tantas viagens, para a Nigéria, para regiões com refugiados sírios, e agora estou no Brasil, e vejo que existe um grande número de pessoas que estão trabalhando em suas comunidades e que apoiam suas comunidades, especialmente focando na melhoria das sociedades. Por que você começou a expansão da rede na América Latina especificamente pelo Brasil? Existem semelhanças entre o Brasil e os outros países que já estão na rede? O meu objetivo é ver na escola todas as 130 milhões de meninas que estão fora da escola agora. E por isso quero ter certeza de que vamos atingir todas as regiões globalmente. E no Brasil são 1,5 milhão de meninas, e vemos que a porcentagem é mais alta quando se trata de comunidades indígenas, comunidades afro-brasileiras. Só 30% das crianças afro-brasileiras terminam a escola. As comunidades indígenas representam 0,5% da população, mas representam 30% dos que estão fora da escola ou são analfabetos. Então existe necessidade de apoio. E o meu objetivo é sempre alcançar as áreas onde o apoio é mais necessário. É por isso que estamos no Brasil, no Nordeste, e focando nas comunidades indígenas e nas meninas afro-brasileiras, garantindo que elas também tenham oportunidades iguais às de quaisquer outras meninas para ter acesso à mesma educação. G1: As três ativistas selecionadas promovem atividades muito diversas. Existe alguma característica que todas elas têm, e que você está buscando? Conheci todas as três selecionadas. Estou muito animada para apoiar nossas novas defensoras e são US$ 700 mil investidos no Brasil, em educação. E todas as três são incríveis, só de olhar o histórico de trabalho e o que elas já fizeram até aqui, o ativismo é inspirador para mim e para todas as outras pessoas da equipe. E eu as defendo, as apoio e acho que uma coisa que elas têm em comum é a resiliência. Elas não vão desistir. Malala Yousafzai dá entrevista em Salvador Egi Santana/G1 Ontem você defendeu [em um evento em São Paulo] envolver os políticos nas conversas sobre educação durante as eleições. Não sei se você já ouviu falar do projeto Escola sem Partido. Sim. Nesta quarta pode haver uma votação na Câmara do projeto. O que ele diz é que professores devem ser proibidos de abordar assuntos na sala de aula se eles forem contra os valores morais familiares dos alunos. E muitos políticos são contra o uso da palavra “gênero” nos projetos de lei sobre educação e planos de educação. Baseada na experiência que tive, posso dizer que o ensino de gênero e a educação sexual são muito importantes, especialmente para as nossas novas gerações, especialmente para as garotas jovens, para saberem sobre sua saúde, e sobre sua segurança... Especialmente quando as meninas se tornam vítimas de violência sexual por causa do seu gênero, ou quando meninas são assediadas porque elas não receberam oportunidades iguais por causa do seu gênero. E esse ensino só as lembra de que elas têm direitos independentemente de sua origem, ou de seu gênero. Acho que isso é crucial, e se isso for proibido, vai ser um grande desafio para atingir nosso objetivo de igualdade. Como você vê essa onda feminista atual em diversas áreas, como em Hollywood, o movimento #metoo e o movimento por salários iguais entre homens e mulheres? Como essas lutas caminham ao lado da sua luta por educação para as meninas? Estou muito feliz de ver que mulheres e homens estão entrando em campanhas como a #metoo e outras, e o que é interessante é como mulheres de países em desenvolvimento também estão aderindo a esses movimentos, do Paquistão e também do Brasil. As mulheres estão se unindo globalmente para dizer que existe muita coisa em comum entre o que todas nós estamos enfrentando. Então se você está em Hollywood ou em qualquer lugar no Brasil, você está sofrendo assédio sexual. Isso está unindo as mulheres, e acredito que existe mais a ser feito. Isso é o começo, mas não é o todo da luta que queremos ver. Precisamos fazer mais, e para mim a educação é parte disso. Garantir que meninas possam ter acesso à educação, que possam seguir com suas vidas, completar seus estudos e alcançar seus sonhos faz parte da igualdade que todas nós queremos ver. Em março você finalmente voltou ao Paquistão e visitou sua casa. Você já falou que esse era o seu sonho, que o seu ciclo não tinha chegado ao fim. Você conseguiu completar esse ciclo? Você se sente mais potente, agora que você conseguiu ir até lá em segurança? 100%. Eu sempre quis ir para casa, queria ver meus amigos, meus professores, meus parentes, e fazia cinco anos que não via o meu lar. Foi muito difícil, porque a gente não deixou nosso país por escolha própria. Foram as circunstâncias que forçaram a nossa saída para o meu tratamento, por causa dos meus ferimentos. E quando voltei foi o momento mais bonito da minha vida. Ver meus amigos e família, ver nosso Vale do Swat, que é o lugar mais bonito que já vi, as montanhas, os rios... Foi um momento bonito. E espero que possa ir de novo, depois de completar minha educação, para viver lá e seguir trabalhando lá. Como você planeja comemorar seu aniversário de 21 anos? Quero passar meu aniversário de 21 anos aqui no Brasil, ao lado de meninas surpreendentes e incríveis que estão lutando por seus direitos, especialmente meninas afro-brasileiras e indígenas. No Rio [de Janeiro]. Eu vou para o Rio, estou animada para isso, muito! Malala Yousafzai dá entrevista em Salvador Egi Santana/G1 O que a Malala de 21 anos gostaria de dizer para aquela Malala de 15 anos, de antes do ataque [do Talibã]? Ninguém nunca me fez essa pergunta antes! Hum... Eu acho que a Malala de 15 anos tinha uma visão. Ela queria ver todas as meninas do Vale do Swat e do Paquistão com acesso à educação, para poderem conquistar o que elas quisessem na vida. E não precisarem ser oprimidas por ninguém, não ter ninguém falando que elas são inferiores aos homens. Não ouvir que elas deveriam ficar só dentro de casa e não sair na rua. E a Malala de 15 anos não sabia o que ia acontecer em seguida, mas eu diria a ela que nós estamos em um caminho bom agora, e que a gente está atingindo essa visão não só no Paquistão, mas pelo mundo todo. E o Brasil é parte disso. E a Malala de 40 anos? Do que você gostaria que ela nunca esqueça? [Risos] Quarenta anos... Essa é uma pergunta muito difícil! Que nunca esqueça? Muitas coisas. E eu sempre tenho muitas coisas em mente. Eu não esqueço especialmente os momentos que passo com as meninas que conheço, seja na Nigéria, no Curdistão Iraquiano ou no Brasil. Sempre me lembro disso. São os momentos mais lindos, porque essas meninas inspiradoras te contam suas histórias, e as histórias delas são tão poderosas que me motivam a continuar a lutar pela educação. Vou lembrar dessas histórias, mas também dos meus dias no Brasil, e do resto das viagens que já fiz. Malala dá entrevista em Salvador Egi Santana/G1 Ontem você deu um conselho aos jovens sobre desafios. Você disse para eles enfrentarem o desafio interno primeiro, de acreditarem em si mesmos. Quem te ensinou a acreditar em você mesma? Acho que primeiramente foi o meu pai. Porque logo em uma idade bem nova ele me escutava, levava em conta a minha opinião, e ele me permitia discordar dele também. Então acho que essa é a atmosfera de que as crianças precisam, onde suas opiniões têm valor, e acho que isso é algo com o qual os professores e pais podem ajudar. Sou muito grata a ele por isso. Sempre pensei que qualquer coisa que digo é séria. Só porque tenho 11 anos, ou 9 anos, não significa que minha visão não importa, ou que as pessoas não estão me ouvindo. Então sempre soube que minha mensagem e tudo o que dizia era muito sério, desde uma idade bem tenra. E você também tem escritores, pensadores ou políticos que te inspiram? Hum... Acho que vou ter que mencionar o Paulo Coelho... Você sabe, “O alquimista” foi o meu primeiro livro... Foi um dos primeiros livros que eu li. E ainda é o meu favorito. Você já o conheceu? Não. A gente se segue no Twitter. Nos conhecemos só do Twitter. E quais são as comidas mais gostosas que você encontrou no Brasil? Você já falou da água... Gostei da água, e qual foi a bebida que acabei de tomar? Era tipo um refrigerante, era gaseificado... Guaraná? Isso. É brasileiro? Sim. Eu gostei disso!
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10/07 - UnB divulga lista de aprovados no vestibular 2018
Estudantes podem conferir relação de nomes na internet e no campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. Candidatos concorreram a 2,1 mil vagas em quatro campi. Lista de aprovados do vestibular da UnB Emília Silberstein/Secom UnB A Universidade de Brasília (UnB) divulgou no início da tarde desta terça-feira (10) a lista de aprovados no vestibular 2018. Mais de 13,5 mil estudantes concorreram a 2,1 mil vagas distribuídas em 98 cursos de graduação. Os candidatos podem conferir a relação de aprovados na página do Cebraspe ou no mural instalado na entrada central norte do Instituto Central de Ciências (ICC), no campus Darcy Ribeiro. Medicina, Direito e Psicologia foram os cursos mais concorridos, segundo as tabelas divulgadas pela própria UnB. Alunos que forem aprovados serão chamados a fazer o registro acadêmico. O primeiro dia de aula está marcado para 13 de agosto, e a recepção dos calouros, para o dia 15. Festa dos calouros Tiago passou no vestibular 2018 da UnB, em Brasília Brena Silva/G1 Muitos estudantes esperaram a lista dos aprovados no Campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. Tiago de Souza, aprovado em engenharia mecatrônica era um deles. “Engenharia sempre foi o que eu quis, gosto de tecnologia e matérias de exatas", afirmou o calouro que segurava um cartaz e exibia o corpo pintado. "A engenharia mecatrônica abrange tudo que sempre gostei." Tiago disse ao G1 que está com a expectativa "lá em cima". Mas sabe que passar no vestibular é apenas o começo de um projeto a longo prazo. "Agora é estudar pesado pra crescer como pessoas e profissionalmente”. Giovanna passou no vestibular da UnB e vai cursar química Brena Silva/G1 Giovanna Pedroza, aprovada para o curso de química, também comemorou. Ela trancou o curso de direito para tentar o vestibular na Universidade de Brasília. "Eu tô com medo, mas acredito que será maravilhoso. Quero ser perita criminal, esse é o pontapé inicial”. Ana Clara comemora aprovação no curso de audiovisual no vestibular 2018 da UnB Brena Silva/G1 Ana Clara de Castro, aprovada para o curso de comunicação social com habilitação em audiovisual, também fez o segundo vestibular. “Comecei a fazer filosofia e decidi que realmente amo é audiovisual", disse a estudante. "Quero muito aprender a fazer roteiro, como filmar, saber os planos de filmagens e principalmente como funcionam os estúdios de gravação”. Mãe de estudante fotografa lista dos aprovados no vestibular da UnB Brena Silva/G1 Em busca do nome na lista, o G1 também encontrou pais de estudantes. Gyssia Freitas foi até a Asa Norte e fotografou o nome do filho, Vinícius Faraco, aprovado no curso de artes visuais. “Uma felicidade imensa pra gente, vim aqui babar." Gyssia disse que a felicidade é porque esta é a segunda aprovação do filho em um curso superior. "Agora dá um alívio! Acredito que ele se encontrou, espero que ele goste do curso." Para ela, é comum os universitários terem dúvidas quando entram na universidade. "Eu aviso para quem está em dúvida do curso: não tem problema nenhum voltar atrás e recomeçar”. Fernanda foi com a mãe conferir a lista dos aprovados no vestibular 2018 da UnB Brena Silva/G1 Nilza Meireles é mãe de Fernanda e acompanhou a filha. Segundo ela, a sensação é uma mistura de alívio e apreensão. "Não tenho certeza de como será o curso", explicou. "Espero que ela se identifique, que tenha um bom resultado profissional. Mas, principalmente, que fique feliz com o que vai fazer." Fernanda, que tem 18 anos, vai fazer comunicação social com habilitação em jornalismo. "Estou muito empolgada com o jornalismo, acho que é um ambiente que tá sempre crescendo, dá pra explorar além da minha criatividade". "O sonho principal é entrar na UnB, provar que sou capaz.” Matrículas Os estudantes aprovados devem apresentar identidade, certificado de alistamento militar (para alunos do sexo masculino), título de eleitor com comprovante de votação ou justificativa, histórico escolar do ensino médio e certificado original de conclusão do ensino médio. Os candidatos que não comparecerem para efetivar o registro no prazo estabelecido ou não apresentaram a documentação completa vão perder a vaga na UnB. Quem não puder ir ao local para fazer registro acadêmico pode entregar toda a documentação e uma procuração para que outra pessoa possa fazer o registro. Caso um estudante da UnB seja aprovado em novo curso por meio do vestibular, de acordo com as regras da instituição, no momento em que efetivar o registro acadêmico no novo curso, ele será "automaticamente desligado do curso anterior", já que não é possível efetivar duas matrículas na universidade. Leia mais notícias sobre a região no G1 DF
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10/07 - Professores da Unimep relatam demissões e novos atrasos em pagamentos de direitos trabalhistas
Segundo Adunimep, cerca de 25 professores foram demitidos na unidade de Piracicaba, e há atrasos em salários e direitos trabalhistas. A Associação dos Docentes da Universidade Metodista de Piracicaba (Adunimep) e o Sindicato dos Professores da instituição (Sinpro) convocaram nova assembleia nesta terça-feira (10) após demissões de professores na universidade no fim de semana. A Adunimep afirma ainda que houve novos atrasos no pagamento de salários e direitos trabalhistas no início do mês. Segundo nota oficial da associação, ainda não há informações sobre o número total de demitidos, mas inicialmente, cerca de 25 professores foram dispensados da instituição. As demissões estariam ocorrendo desde sábado (7), e entre os professores demitidos, estão dois representantes da Adunimep, integrantes da diretoria executiva da associação. Professores relatam demissões e novo descumprimento de acordo de pagamentos trabalhistas Rafael Bitencourt O presidente da Adunimep em Piracicaba, Milton Souto, que foi demitido no sábado, afirma que as demissões não são legais. “O TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] que nós estamos negociando, que inclusive o prazo acaba hoje [terça-feira], eu sou um dos negociadores. Eu estou representando a Adunimep”, comenta. Souto destaca ainda o fato das demissões terem acontecido no fim do semestre letivo, o que prejudica os alunos. “Eu ainda ia dar a segunda prova, então é um desrespeito total.” O presidente da Adunimep afirma que também não houve pagamento de salários e direitos trabalhistas no quinto dia útil deste mês, descumprindo o acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Na pauta da assembleia, convocada para esta terça-feira (10), serão discutidas as medidas após as demissões e a falta de cumprimento do acordo. O G1 entrou em contato com a Unimep, para saber o número de professores demitidos e uma posição da instituição, mas até esta publicação, não houve resposta. Greve dos professores A situação ocorre logo após os professores da Unimep terem encerrado a greve, que durou pouco mais de 20 dias. A paralisação foi iniciada no dia 11 de junho após a Unimep não pagar os salários de todos os professores no quinto dia útil e, com isso, desrespeitar o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a universidade. No encerramento da greve, que aconteceu após a Unimep ter quitado todos os vencimentos, a diretora do Sindicato dos Professores de Campinas e Região (Sinpro), Conceição Fornasari, disse que a entidade e a reitoria já tinham realizado três reuniões para tentar um acordo sobre a crise financeira que vive a universidade, inclusive para evitar demissões. Dentre as medidas citadas pela reitoria da Unimep ao Sinpro estava a abertura de processo para demissão voluntária, a migração dos professores que estão na carreira antiga para a nova e também a mudança da data do pagamento dos salários. Acordo de pagamento O TAC foi firmado em março deste ano após sete audiências no MPT com funcionários e representantes do Instituto Eduacional Piracicabano da Igreja Metodista (IEP). Os debates, que partiram de uma denúncia formalizada pelos trabalhadores, começaram em 18 de maio do ano passado. No dia 14 de maio, a procuradora do MPT Clarissa Schinestsck assinou um despacho cobrando a apresentação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) atualizado da universidade, uma planilha com nome, CPF, função e salário de todos os funcionários e comprovante bancário de pagamento. O despacho foi emitido após uma notificação da Adunimep à Procuradoria do Trabalho de que os pagamentos de abril não tinham sido feitos no prazo determinado no TAC. A Unimep comprovou o pagamento aos trabalhadores, mas os vencimentos foram quitados no dia 22 de maio, e não no quinto dia útil. Apesar do descumprimento do TAC, o procurador do trabalho, Paulo Crestana, optou por não mover ação de execução de multa, como havia pedido a Associação dos Docentes da Unimep (Adunimep). Crestana deu 20 dias para que as partes realizassem nova tentativa de acordo, já que o IEP pediu uma "negociação mais ampla" sobre a crise que a instituição vive. O prazo venceu no dia 9 de julho. Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba
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10/07 - Prouni: convocados na 1º chamada devem comprovar informações até esta terça-feira
Resultados da segunda chamada serão divulgados no dia 16 de julho; nesta seleção são oferecidas 174.289 bolsas de estudo. Os estudantes convocados na primeira chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni) do segundo semestre de 2018 têm até esta terça-feira (10) para confirmar as informações declaradas na inscrição e garantir a bolsa de estudo. A lista de aprovados foi divulgada no dia 2 de julho. O procedimento é feito nas instituições para qual o aluno foi classificado, e não envolve mais o Ministério da Educação. Quem não confirmar as informações não terá direito à bolsa. Os resultados da segunda chamada serão divulgados no dia 16 de julho. A partir do dia 30 de julho, os estudantes podem aderir à lista de espera do programa. Neste semestre são oferecidas 174.289 bolsas de estudo totais e parciais em 1.460 instituições de ensino superior. Para ter direito a uma bolsa integral, o candidato deve comprovar uma renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio. As bolsas parciais de 50% são destinadas aos alunos que têm uma renda familiar per capita de até três salários mínimos. Segundo o MEC, quem conseguir uma bolsa parcial e não tiver condições financeiras de arcar com a outra metade do valor da mensalidade pode utilizar o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Cronograma do Prouni 2018 Comprovação de informações dos alunos da primeira chamada: até 10 de julho Lista de candidatos da segunda chamada: 16 de julho Comprovação de informações dos alunos da segunda chamada: 16 a 23 de julho Prazo para participar da lista de espera: 30 e 31 de julho Divulgação da lista de espera: 2 de agosto
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10/07 - Malala vai patrocinar três brasileiras que lutam pela educação de meninas
Depois de proferir uma palestra em São Paulo nesta segunda-feira (9), Malala anuncia, nesta terça (10), que as primeiras ativistas do Brasil a integrar a Rede Gulmakai são da Bahia, de Pernambuco e de São Paulo. Malala discursa em evento em São Paulo nesta segunda-feira, 9 de julho Rovena Rosa/Agência Brasil A paquistanesa Malala Yousafzai anunciou, nesta terça-feira (10), que três brasileiras passarão a integrar a Rede Gulmakai, uma iniciativa do Fundo Malala que patrocina homens e mulheres que incentivam ou promovem a educação de meninas em vários países. O Fundo Malala já chegou a investir recursos em projetos de ativistas indígenas do México, mas o anúncio feito nesta terça marca a expansão da Rede Gulmakai para a América Latina, começando pelo Brasil. O projeto já contempla outros seis países: Afeganistão, Líbano, Índia, Nigéria, Paquistão e Turquia. Em evento em SP, Malala promete investir na educação do Brasil Em 2012, Malala foi vítima de um atentado do Talebã por insistir em ir à escola – uma atividade probida para meninas. Desde então, ela criou uma organização para incentivar a educação de meninas em todo o mundo, e em 2014 se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz. Malala anuncia patrocínio para brasileiras que incentivam a educação de meninas Veja quem são as participantes: Sylvia Siqueira Campos (Pernambuco): presidente do Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação (Mirim), com sede em Recife. O movimento foi criado em 1990 e tem como objetivo "defender e promover os direitos humanos com foco na infância, adolescência e juventude, a fim de combater as desigualdades, estimular a cidadania ativa e radicalizar a democracia". Segundo o Fundo Malala, Sylvia participa do movimento desde que tinha 13 anos e, hoje, é a presidente do Mirim. Sylvia Siqueira Campos, uma das coordenadoras do Mirim e uma das três brasileiras selecionadas para integrar a Rede Gulmakai do Fundo Malala Divulgação/Héllyda Cavalcanti Ana Paula Ferreira de Lima (Bahia): uma das coordenadoras da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí), criada em 1979 para "promover e respeitar a autonomia cultural, política e econômica e o direito à autodeterminação dos povos indígenas". Ana Paula já foi professora e agora atua para aumentar o número de meninas indígenas que terminam os estudos na Bahia, além de treinas 60 garotas indígenas para se tornarem jovens ativistas. Denise Carreira (São Paulo): é coordenadora adjunta da Ação Educativa, uma organização fundada em 1994 para "promover os direitos educativos e da juventude, tendo em vista a justiça social, a democracia participativa e o desenvolvimento sustentável no Brasil". Segundo o Fundo Malala, atualmente ela desenvolve um curso online para treinar professores em temas relacionados à igualdade de gênero, além de produzir um relatório sobre a violência e a discriminação de gênero na educação. Malala participa de palestra em São Paulo SM2 Fotografia Progresso relativo Em um comunicado divulgado nesta terça, Farah Mohamed, CEO do Fundo Malala, afirmou que "o Brasil está fazendo progressos para as meninas, mas apenas para algumas meninas". "Garantir acesso igualitário à educação requer liderança ousada e ágil. É por isso que temos orgulho de investir nessas três ativistas, cujo trabalho para desafiar os líderes e mudar as normas já está ajudando a criar um futuro melhor para todas as meninas brasileiras", disse Farah. Agora, as três brasileiras integrarão a Rede Gulmakai, batizada por uma inspiração antiga: Gulmakai era o pseudônimo que Malala usava quando tinha apenas 11 anos e escrevia um blog em Urdu para a BBC sobre os desafios que as garotas enfrentavam para conseguir estudar no Vale do Swat, sua terra natal no Paquistão, que caiu sob o domínio do Talebã. Atualmente, a rede financia o trabalho de 22 ativisitas em prol da educação de meninas no Afeganistão, Índia, Líbano, Nigéria, Paquistão e Turquia.
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09/07 - Em evento em SP, Malala promete investir na educação do Brasil
'A sua luta e o seu ativismo têm poder de fazer mudanças', diz a paquistanesa durante encontro com estudantes e ativistas em sua primeira visita ao Brasil. Malala discursa em evento em São Paulo nesta segunda-feira, 9 de julho Rovena Rosa/Agência Brasil A paquistanesa Malala Yousafazai, ganhadora mais jovem da história a receber um Prêmio Nobel da Paz, disse na tarde desta segunda-feira (9), no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, que vai investir na educação do Brasil. A ativista não deu detalhes sobre a parceria, mas adiantou que será anunciada em breve. É a primeira vez que ela visita o país. "A melhor forma de melhorar a educação em qualquer país é fazer parcerias com as ativistas locais. Vamos focar nas regiões que mais precisam, como o Nordeste do Brasil, mas também vamos apoiar outras campanhas. Queremos trabalhar junto com vocês. Estou aqui para aprender e usar o Fundo Malala da melhor maneira", disse para a plateia formada por 800 convidados, em sua maioria estudantes e integrantes de ONGS ligadas ao banco Itaú, patrocinador do evento. A Fundação Malala apoia projetos que lutam pela igualdade de gênero na educação em países da África e da Ásia. A ativista completa 21 anos nesta quinta-feira (12) e se tornou símbolo mundial da luta pelo direito das meninas à educação depois de sobreviver a um atentado cometido pelo Talibã. Quando ela tinha 15 anos, foi baleada na cabeça ao voltar da escola onde morava no Vale do Swat, no Paquistão. Na época, ela já defendia publicamente o direito das meninas irem para a escola. Malala participa de palestra em São Paulo SM2 Fotografia 'Feliz de estar aqui' Na palestra em São Paulo, Malala participou de um debate sobre educação, feminismo e política com a presença da presidente do Instituto Alana, Ana Lucia Villela, da cientista política e ativista pela educação Tabata Amaral, além da escritora Conceição Evaristo e de Dagmar Rivieri, fundadora e presidente da ONG Casa de Zezinho. Com os cabelos cobertos por um lenço azul, fez questão de responder perguntas de alunos da rede pública que estavam no palco, ressaltou o poder transformador da educação e das mulheres, e elogiou a água brasileira. "É diferente da Inglaterra, me lembra o Vale do Swat." "Era um sonho vir para o Brasil. Esse país é maravilhoso em termos de cultura e sinto toda a energia positiva que vocês me dão [...] Sou mulçumana, venho de uma terra muito distante e ao mesmo tempo me sinto em casa. Estou feliz de estar aqui", disse. Malala disse que está muito empolgada com o trabalho que fará no Brasil e lembrou que os desafios na luta por uma educação de qualidade e igualitária entre meninos e meninas não são só "externos". "Há desafios externos como os que existem na sociedade, discriminação, pobreza, extremismo, mas existem outros desafios, os internos porque subestimamos o poder da nossa voz. Esse é o primeiro desafio." Malala encorajou os estudantes a lutar por direitos e mudanças, principalmente durante o período eleitoral. "Sei que às vezes existe raiva ou falta de esperança, mas a sua luta e o seu ativismo têm o poder de fazer mudanças. Vocês não devem esperar que alguém fale por vocês. Vocês sempre têm de erguer suas vozes." Quando perguntada se sente raiva ou desejo de se vingar das pessoas que a atacaram, ela diz é a melhor resposta é a educação. "Digo que a melhor maneira de me 'vingar' é pela educação, educar todas as crianças do mundo, inclusive filhos e filhas dos que me atacaram. E de alguma maneira estamos conseguindo isso." Estudantes da capital se encontram com a ativista paquistanesa Malala Yousafzai Sobre ter sonhos Antes do compromisso oficial nesta segunda, Malala almoçou e conversou com alguns convidados na sede do Itaú, entre elas, a cientista política e ativista pela educação Tabata Amaral. Tabata pediu a Malala que por meio do seu trabalho na Fundação desse especial atenção à carreira do professor que perdeu atratividade entre os jovens e é uma profissão pouco valorizada. "Também pedi que ela falasse aos jovens sobre a importância de ter sonhos e propósitos. Nas escolas que visito vejo que quanto mais velhos os alunos, menos sonhos eles têm." Tabata também reforçou a necessidade da criação de uma rede de mulheres ativistas "porque o caminho é muito solitário." "Falamos bastante sobre educação e sobre como as desigualdades, assim como nas guerras, podem causar mortes." O ataque No dia 9 de outubro de 2012, Malala foi alvo de um ataque a tiros por membros do Talibã. Ela estava em um ônibus escolar com outras meninas voltando para casa depois de mais um dia letivo, no Vale do Swat, onde morava no norte do Paquistão. Aos 11 anos, ela escrevia com o pseudônimo Gulmakai para um blog da BBC contando as dificuldades que as meninas tinham para estudar no Vale do Swat. Mas, aos 15 anos, época em que foi baleada, já defendia publicamente o direito à educação para as meninas. Os radicais do Talibã acreditavam que a educação das meninas era uma afronta ao islamismo e destruíram centenas de escolas. Baleada na cabeça, Malala sobreviveu ao atentado, que chocou o Paquistão, mesmo com a onda de violência e repressão por parte dos militantes do Talibã. Ela foi retirada do país com sua família e levada ao Reino Unido. Os médicos retiraram a bala de seu cérebro. Malala se recuperou, mas não retomou os movimentos do lado esquerdo do rosto e perdeu a audição do ouvido esquerdo. Desde então mora na Inglaterra, onde retomou os estudos no ensino médio. Em 2017, cinco anos após o atentado, ela ingressou na Universidade de Oxford para estudar filosofia, política e economia. Símbolo mundial O atentado contra Malala a projetou internacionalmente. Dois anos depois do Talibã ter tentado matá-la, em 2014, quando tinha 17 anos, ela se tornou a pessoa mais jovem da história a receber um Nobel de Paz. Naquele ano ela dividiu o prêmio com o indiano Kailash Satyarthi. Antes, em 2013, estampou a capa da revista Time, como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Em julho do mesmo ano, no seu aniversário de 16 anos, fez um discurso na Organização das Nações Unidas (ONU) que repercutiu no mundo todo. "Os terroristas pensaram que eles mudariam meus objetivos e interromperiam minhas ambições, mas nada mudou na vida, com exceção disto: fraqueza, medo e falta de esperança morreram. Força, coragem e fervor nasceram", disse. Outra frase do seu discurso foi: "nossos livros e nossas canetas são nossas armas mais poderosas. Um criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo." Malala lançou uma biografia, um documentário e criou sua própria Fundação que apoia ativistas que defendem o direito de todas as meninas à educação. Seu trabalho humanitário a levou a diversas partes do mundo onde esse direito é ameaçado. Já foi recebia pela Rainha Elizabeth e pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. De volta ao Paquistão Neste ano, no dia 28 de março, ela voltou ao Paquistão pela primeira vez desde que sofreu o ataque dos talibãs há seis anos. Cercada por um forte esquema de segurança, ela visitou o Vale do Swat por apenas poucas horas. "Quando eu não voltei para casa da escola naquele dia em 2012, minha mãe se perguntou se eu um dia veria meu quarto de novo, se ela um dia teria um momento quieto com sua filha em nossa casa", disse. "Ver-me ali deixou minha mãe tão feliz. Ela disse: 'A Malala deixou o Paquistão com os olhos fechados, agora ela retorna com os olhos abertos'." Malala é vista fotografando o Vale do Swat, região no Paquistão onde ela nasceu e cresceu, em sua primeira visita ao país em quase seis anos Divulgação/Insiya Syed/Malala Fund Malala posa em frente aos seus troféus escolares em seu antigo quarto no Vale do Swat, no Paquistão Divulgação/Insiya Syed/Malala Fund
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06/07 - Servidores em greve na Unicamp deixam o prédio da reitoria após assembleia e liminar da Justiça
Liminar da 1ª Vara da Fazenda determina ainda presença do reitor Marcelo Knobel em negociações com o STU. Servidores em greve desocupam prédio da Reitoria da Unicamp Reprodução/EPTV Os servidores em greve na Unicamp há 45 dias desocuparam nesta manhã de sexta-feira (6) as salas ocupadas no prédio da reitoria há 4 dias. Eles reivindicam novas negociações com o reitor Marcelo Knobel sobre o aumento salarial e do vale-alimentação, entre outros. A saída ocorreu após uma assembleia nesta manhã. A 1ª Vara da Fazenda expediu na quinta-feira (5) uma liminar determinando a desocupação das salas de reuniões. Na mesma assembleia, os servidores decidiram manter o movimento grevista iniciado no dia 22 de maio para reivindicar reajuste salarial de 12,6% e o aumento de R$ 230 no vale-alimentação, que elevaria o benefício para R$ 1.080. A administração universitária alega que com a crise financeira e previsão de déficit de R$ 240 milhões o aumento salarial será de 1,5% e o vale-alimentação terá acréscimo de R$ 100, subindo para R$ 950. Liminar A 1ª Vara da Fazenda Pública de Campinas determinou a desocupação das salas de reuniões do prédio da Reitoria da Unicamp em 24 horas e a retomada das negociações entre o reitor Marcelo Knobel e representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU). No despacho desta quinta-feira (5), o juiz Mauro Iuji Fukumoto apontou que a desocupação era a melhor saída para o impasse. Os servidores permaneceram entre a noite de terça e a manhã desta sexta-feira em duas salas do prédio da reitoria, mas funcionários que não aderiram ao movimento não foram impedidos de entrar no prédio. “O mais razoável é impor-se obrigações a ambas as partes: ao Sindicato, de desocupar o prédio (permitindo-se, como já assinalado na decisão de fls. 19, a livre manifestação desde que não impeça ou inviabilize o trabalho dos servidores que não aderiram à greve); e, à Universidade, de agendar nova reunião, assim que ocorrer a desocupação, com a presença pessoal do Reitor, que é reclamada pelo Sindicato”, disse o juiz. Salários cortados A Justiça de Campinas negou nesta quarta-feira (4) o pedido do sindicato para que os dias de greve não sejam descontados das remunerações dos servidores. No entanto, Marcelo Knobel afirma que poderá negociar os dias parados. "Podem ter várias compensações para que os trabalhadores não fiquem sem salários", disse o reitor. Sobre o desconto dos dias parados, o STU informou que entende que é uma forma de ameaça para que os funcionários deixem a greve e consideram lamentável a postura adotada pela universidade. O departamento jurídico do sindicato busca a devolução dos valores aos funcionários que aderiram à greve. Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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06/07 - Unesp divulga resultado final do vestibular do meio do ano 2018
Todos os candidatos classificados deverão confirmar interesse pela vaga a partir desta sexta-feira (6). A Universidade Estadual Paulista (Unesp) divulgou nesta sexta-feira (6) o resultado final do vestibular do meio do Ano 2018. Confira os nomes no site da Vunesp. Nesta seleção são oferecidas 360 vagas em 9 cursos nos campi de Bauru, Ilha Solteira, Registro, São João da Boa Vista e Sorocaba. O exame foi aplicado em duas fases e registrou 10.449 inscritos. Entre esta sexta (6) até a próxima segunda-feira (9), todos os candidatos classificados, inclusive o primeiro colocado de cada curso, deverão confirmar interesse por vaga pelo site da Vunesp. A primeira lista de convocados será divulgada no dia 11 de julho, somente com os nomes de candidatos que tenham declarado interesse por vaga. As matrículas são feitas primeiramente de forma virtual, entre os dias 11 e 12 (quarta e quinta) de julho. A segunda e a terceira chamada serão divulgadas nos dias 16 e 19 deste mês (segunda e quinta), respectivamente. Todas as chamadas para matrícula só incluirão nomes de candidatos que tenham confirmado no site interesse por vaga. As provas do vestibular Unesp meio de ano foram aplicadas em Bauru, Campinas, Franca, Guaratinguetá, Ilha Solteira, Registro, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São Paulo e Sorocaba. A Unesp destina mínimo de 50% das suas vagas por curso ao Sistema de Reserva de Vagas para Educação Básica Pública. A porcentagem de ingressantes oriundos de escolas públicas no último vestibular foi de 56%.
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06/07 - Liminar determina desocupação da Reitoria da Unicamp e presença de Knobel em negociações com o STU
Sentença foi despachada pelo juiz Mauro Iuji Fukumoto da 1ª Vara da Fazenda. Servidores da Unicamp votam pela manutenção da greve por aumento nos salários neste 5 de julho, em Campinas Luciano Calafiori/G1 A 1ª Vara da Fazenda Pública de Campinas determinou a desocupação das salas de reuniões do prédio da Reitoria da Unicamp em 24 horas e a retomada das negociações entre o reitor Marcelo Knobel e representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU). No despacho desta quinta-feira (5), o juiz Mauro Iuji Fukumoto aponta que a desocupação deve ocorrer com uso de força policial, caso seja necessário. O juiz argumenta ainda que o melhor neste momento é o fim do impasse que teve início na terça-feira (3). Os servidores permanecem nas salas de reuniões do prédio desde o fim uma reunião com a chefia de gabinete, sem a presença do reitor. Depois disso, os grevistas exigiam a presença do reitor nas negociações. Knobel vinha afirmando que só retomaria as negociações pessoalmente se as salas fossem desocupadas. Os servidores estão em greve há 45 dias para reivindicar aumento salarial. “O mais razoável é impor-se obrigações a ambas as partes: ao Sindicato, de desocupar o prédio (permitindo-se, como já assinalado na decisão de fls. 19, a livre manifestação desde que não impeça ou inviabilize o trabalho dos servidores que não aderiram à greve); e, à Universidade, de agendar nova reunião, assim que ocorrer a desocupação, com a presença pessoal do Reitor, que é reclamada pelo Sindicato”, disse o juiz. O que dizem a Unicamp e o STU Em nota, a universidade afirmou estar aberta ao diálogo e pronta para atender à determinação judicial. "A Reitoria da Unicamp, que sempre esteve aberta ao diálogo, está pronta para atender à determinação judicial, na expectativa de que o impasse seja resolvido pacificamente", diz o texto da estadual de Campinas. Por meio da assessoria de imprensa, o STU informou ao G1 que o assunto está sendo debatido nesta manhã em assembleia com os trabalhadores. Entenda o impasse O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp iniciou a greve no dia 22 de maio. A categoria pede reajuste salarial de 12,6% e aumento no vale-alimentação de R$ 230, o que elevaria o benefício para R$ 1.080. A universidade alega que em 2018 terá um déficit orçamentário no valor de R$ 240 milhões e o aumento para os servidores neste ano está fixado em 1,5%. Sobre o vale-alimentação, a estadual defende reajuste de R$ 100, indo de R$ 850 para R$ 950. Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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06/07 - Bicicleta e comida saudável fazem das crianças holandesas as menos obesas entre os países ricos
Só 7% das crianças holandesas de 11, 13 e 15 anos estão acima do peso; G1 publica série de reportagens sobre como a Holanda foi parar no topo dos países com as crianças mais felizes do mundo. Menina anda de bicicleta entre os demais ciclistas de Amsterdã sem a supervisão dos pais Mariana Timóteo da Costa/GloboNews O percentual de crianças obesas na Holanda é o menor entre os países pesquisados pelo Unicef. Se nos EUA cerca de 30% das crianças de 11, 13 e 15 anos estão acima do peso, na Holanda o índice é 7%. Na França, outro país reconhecido pela alimentação saudável, o índice é 10%. Apesar de o granulado de chocolate fazer parte de um lanche típico levado para as escolas, as crianças desde cedo fazem muito exercício porque andam para todo o canto de bicicleta. Além disso, iniciativas de prefeituras como a de Amsterdã vem reduzindo o consumo de açúcar e frituras nas escolas. Um dos lanches típicos das crianças holandesas é um pão com manteiga e granulado de chocolate Mariana Timóteo da Costa/GloboNews "Aos 6 anos já pedalava sozinha para a escola, aqui no bairro é tão tranquilo que nem precisamos de capacete, andamos sempre na ciclovia", conta Ina Hutchison, hoje com 11, chegando de uma tarde no parque e no supermercado. "Vou sozinha, estaciono minha bike e faço as compras que minha mãe pediu." Série de reportagens do G1 explica os êxitos da educação holandesa Roberta Jaworski/G1 Desde quarta-feira (4), o G1 publica uma série de nove reportagens que investigam os fatores educacionais, econômicos e sociais por trás do sucesso holandês. Mais bicicletas que pessoas A Holanda tem 17 milhões de pessoas e 25 milhões de bicicletas. Ou seja, 1,3 bicicleta per capita. Na hora do rush em cidades grandes como Amsterdã, Roterdã e Haia, é comum ver mais bicicletas do que carros passando. São mais de 35 mil quilômetros de ciclovias. Um holandês anda em média mil quilômetros por ano de bicicleta. E muitos desde cedo, como Ina Hutchison. Ina Hutchison Mariana Timóteo da Costa/GloboNews “A cultura da bicleta começa mesmo antes de as crianças aprenderem a andar, ou mesmo aprender a se movimentar com as pernas. Eu mesma só carrego ele aqui no bakfiet e ele adora”, diz a enóloga Agnes Demen, mãe de Jacob, de 1 ano. O bakfiet é uma estrutura de madeira que é colocada na bicicleta e usada para transportar crianças e compras de supermercado. "É claro que o fato de as cidades serem planas e não termos problemas com segurança ajuda. Mas acho que é mais uma questão cultural mesmo. Aí a criança cresce e quer logo se deslocar de bicicleta", acredita. Agnes Demen transporta o filho Jacob na bakfiet, uma bicicleta adaptada para carregar crianças pequenas Mariana Timóteo da Costa/GloboNews O granulado de chocolate levado de lanche, uma tradição holandesa, assim, não vira um vilão da alimentação. Além do fato de as crianças fazerem muito exercício, prefeituras como a de Amsterdã iniciaram programas para estimular a alimentação saudável nas escolas. A Prefeitura parou de patrocinar eventos apoiados por marcas de fast-food e deu incentivo fiscais para escolas que, em suas lanchonetes, parassem de oferecer lanches processados ou com alto teor de açúcar. O resultado foi uma redução de 12% do número de crianças obesas na cidade entre 2012 e 2015 – o que ocorreu especialmente no bairro de imigrantes. "Aí foi um efeito cascata. Muitas escolas passaram a estimular apenas o consumo de água. Os pais começaram a mandar em vez de bolos para as festas de aniversário, frutas", conta Leotien Peeters, da Fundação Bernard Van Leer, com sede na Holanda, dedicada à primeira infância, que advoca por mais saúde e bem-estar para crianças pequenas em vários países, incluindo no seu de origem. Olha que legal: Holanda é o país com as crianças mais felizes do mundo Criança durante aula ginástica em Amsterdã Mariana Timóteo da Costa/GloboNews Influência da nutrição na saúde Uma das maiores cientistas da Holanda, Tessa Roseboom é professora de desenvolvimento infantil e saúde da Universidade de Amsterdã. Ela elogia as iniciativas da cidade ao perceber a influência da nutrição na saúde das crianças. Autora de um estudo que provou que as doenças são influenciadas pela alimentação quando a criança ainda está no útero da mãe, ela diz que iniciativas como a de Amsterdã revertem tendências desses jovens terem doenças crônicas no futuro. “Além disso permitirá que as crianças desenvolvam todo o seu potencial. A cidade de Amsterdã está se dando conta da importância de investir nesses primeiros anos da vida da criança”, afirma. Caminhada de crianças em Roterdã Mariana Timóteo da Costa/GloboNews Outras cidades holandesas também programam atividades para promover vida saudável entre as crianças. Em Roterdã, é comum eventos como o que o G1 acompanhou, promovido pelas escolas públicas do bairro: uma caminhada de 5 km com a participação de cerca de 700 crianças e 400 pais. “Adoro vir nessas caminhadas, faz nos sentirmos parte da comunidade e ainda fazem bem para a saúde”, diz a joalheira Diana Spierings, acompanhada do filho Jules e de um amigo. A empresária Nanja Totorla passeia animada com o filho Gianlucca, de 8. Logo, o menino dispara no meio da multidão. “Já já ele volta, as crianças aqui são muito livres”, brinca. A empresária Nanja Totorla e o filho Gianlucca Mariana Timóteo da Costa/GloboNews Initial plugin text
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06/07 - Na Holanda, mercado de trabalho flexível permite que pais fiquem mais em casa com os filhos
Lei prevê que empresas devem flexibilizar as horas trabalhadas para quem é pai: é o chamado Papadag (ou Daddy Day, dia do papai); G1 publica série de reportagens sobre como a Holanda foi parar no topo dos países com as crianças mais felizes do mundo. Michelle Leyendekkers com o marido Hans e os filhos Julia, Cas e Sara Mariana Timóteo da Costa/GloboNews Um dos segredos do bem-estar das crianças holandesas é o fato delas passarem muito tempo com suas famílias. No ranking do Unicef, quase 85% das crianças alegaram sentirem-se confortáveis para conversar com os pais. É lei que as empresas flexibilizem as horas trabalhadas para quem é pai. Existe até um termo para isso: “Papadag” (ou Daddy Day, dia do papai). Como a flexibilização é opção para homens e mulheres, e é bastante comum ver homens ficando em casa com as crianças pelo menos um dia na semana. “Em vez de 40 horas semanais, é possível tirar 30 horas, com pequenas reduções salariais”, explica a consultora familiar Michelle Leyendekkers, que trabalha numa creche em Roterdã e mãe de Julia, oite, Cas, seis, e Sara, quatro. O marido, Hans, é gerente de produtos numa empresa de estufas e tirou vários “Papadag”, principalmente quando as crianças estavam na idade pré-escolar. Sara, de quatro anos, ingressou neste ano na escola. Série de reportagens do G1 explica os êxitos da educação holandesa Roberta Jaworski/G1 Desde quarta-feira (4), o G1 publica uma série de nove reportagens que investigam os fatores educacionais, econômicos e sociais por trás do sucesso holandês. Leia outras reportagens publicadas nesta sexta: Crianças holandesas são as menos obesas entre os países ricos: entenda O que a magreza de Audrey Hepburn tem a ver com a nutrição infantil na Holanda Olha que legal: Holanda é o país com as crianças mais felizes do mundo Cuidados com os filhos Michelle e Hans se revezam igualmente no cuidado com os pequenos. Eles estudam das 9h às 16h e sempre um dos pais leva ou busca todo o mundo na escola. Como às quartas-feiras a escola na Holanda só costumam funcionar meio período, um dos pais costuma trabalhar de casa. “Aí os cinco jantam juntos diariamente, às 18h. As empresas entendem que temos filhos para criar e ninguém trabalha mais horas do que o necessário”, conta Hans. Segundo pesquisa da revista “The Economist”, a Holanda é campeã do trabalho em meio período: mais da metade da população economicamente ativa opta por contratos de menos horas de trabalho – mais do que qualquer país rico do mundo. Antes dos 4 anos, quando a educação pública passa a ser obrigatória, os pais ou fazem como Carter ou colocam as crianças em creches, normalmente pagas. “O valor pago é descontado do imposto de renda, dependendo do salário da pessoa. Quem ganha mais, ganha menos desconto”, conta Maria Patijn, mãe de Anna, de dois anos. A funcionária do museu Van Gogh, em Amsterdã, optou por deixar a filha três vezes por semana na creche; um dia ela fica em casa, em outro, o marido. Paga cerca de mil euros (R$ 4,2 mil) por mês de creche, mas recebe de volta 700 euros (R$ 3,1 mil). Maria Patijn paga R$ 4,3 mil de creche para a filha Anna, mas recebe 70% do dinheiro de volta na declaração de imposto de renda Mariana Timóteo da Costa/GloboNews Maria diz que gostaria que a licença maternidade fosse superior aos quatro meses que ela teve direito na Holanda, mas acha que as facilidades dadas para que ela tenha acesso a uma creche “acabam compensando”. Há ainda muitas instituições que oferecem creches para imigrantes ou população de menor renda, por valores simbólicos. Ampliação da educação pública São vários os movimentos na Holanda para que a educação pública seja estendida para a partir dos dois anos. “Hoje sabemos da importância de se atender à primeira infância (0 a 6 anos), período determinante para todo o desenvolvimento humano, quando a maior parte das conexões cerebrais se formam. Portanto, quanto mais cedo essa criança for atendida pela instituição pública, melhor. Pelos pais em casa ela já estão realmente muito bem”, declara Thea Peetsma, diretora do Departamento de Desenvolvimento Infantil e Educação da Universidade de Amsterdã. Em busca de mais igualdade Outro desafio é igualar mais a proporção entre homens e mulheres, já que 75% dos que trabalham meio períodos são mulheres, como explica Leotien Peters, chefe da Fundação Bernard van Leer na Holanda, que trabalha com projetos relacionados à primeira infância em várias partes do mundo. “Se quisermos dar mais poder e autonomia às mulheres, especialmente com o envelhecimento da população, precisamos que aqui elas tenham condições iguais de se desenvolver no mercado de trabalho. E isso significa dividir mais com os homens os cuidados das crianças”, comenta. "Para o futuro do país, é importante que as mulheres em idade economicamente ativa possam trabalhar em todo o seu potencial." A executiva cita um fenômeno recente na Holanda e em outros países da Europa: as mulheres estão tendo filhos mais velhas (acima dos 37 anos), ao mesmo tempo em que seus pais estão envelhecendo e precisam de cuidados. “Aí muitas delas acabam cuidando de seus bebês e de seus pais ou sogros ao mesmo tempo, uma carga sem dúvida pesada, outro motivo para incluirmos mais os homens nessa força doméstica de trabalho”. Carter Duong e Remco Van Mariana Timóteo da Costa/GloboNews Licença-paternidade A fundação foi uma das instituições que pressionaram os legisladores para aumentar o tempo de licença-paternidade – hoje de dois dias para os homens, mas que deve passar para cinco dias até o fim do ano e para seis semanas até 2020. Muitas empresas já estão dando licença-paternidade não remunerada, segundo artigo recente na imprensa holandesa. Mesmo assim, a executiva vê a sociedade holandesa como “muito mais igualitária e equilibrada” do que a de muitos países ricos – “e claramente isso influencia a percepção das crianças”. E tudo isso sem prejudicar a economia. Segundo o último ranking de competitividade da escola de administração suíça IMD, a Holanda é o país mais competitivo da Europa em 2018_ passou a própria Suíça, atrás apenas de EUA, Hong Kong e Cingapura. Está entre as 20 economias do mundo, mesmo sendo um país de apenas 17 milhões de pessoas. "Estamos de mudança para a China e não sabemos como vai ser por lá", brinca Carter Duong, de 41 anos, que resolveu parar de trabalhar quando ele e o marido, Remco Van, de 52, adotaram a pequena Ella, de um ano e meio. "Aqui realmente passamos muito tempo com as crianças e ninguém parece se importar com uma pequena redução salarial ou de dar um tempo na carreira para ter isso." Initial plugin text
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06/07 - O que a magreza de Audrey Hepburn tem a ver com a pesquisa sobre nutrição infantil na Holanda
Entre 1944 e 1945, Holanda sofreu com bloqueio de fornecimento de alimentos de Adolf Hitler, o que afetou a condição de saúde da geração seguinte; G1 publica série de reportagens sobre como a Holanda foi parar no topo dos países com as crianças mais felizes do mundo. Nascida em 1929 na Bélgica, a estrela de Hollywood Audrey Hepburn passou sua infância na Holanda num período conhecido como Inverno Holandês. Entre novembro de 1944 e maio de 1945, os nazistas de Adolph Hitler que ocupavam o país bloquearam o fornecimento de alimentos. Cerca de 18 mil pessoas morreram, e Audrey relatou ter comido tulipas e bolo de grama. A saúde dela foi debilitada até sua morte, aos 63 anos: além da magreza excessiva, a atriz sofria de anemia, doenças respiratórias e edemas. Magreza de Audrey Hepburn é explicada em parte pelos anos em que ela viveu na Holanda ocupada pelos nazistas, que controlavam o fornecimento de comida para a população Reprodução/GloboNews O Inverno Holandês – do qual Audrey é um dos exemplos mais célebres – inspirou várias pesquisas científicas sobre nutrição, genética e propensão a doenças. Mas a cientista holandesa Tessa Roseboom, da Universidade de Amsterdã , deu um passo além para mostrar os impactos da má-nutrição não apenas em quem a sofre, mas também nas gerações futuras. A professora de desenvolvimento humano e saúde da universidade de primeira rastreou descendentes de quem viveu a fome holandesa – o período de crise curto facilitou o processo, apesar de, conta ela ao G1, não ter sido simples pegar manualmente os registros dos sobreviventes daquela época e “ir atrás dos filhos e netos deles”. Série de reportagens do G1 explica os êxitos da educação holandesa Roberta Jaworski/G1 Desde quarta-feira (4), o G1 publica uma série de nove reportagens que investigam os fatores educacionais, econômicos e sociais por trás do sucesso holandês. Leia outras reportagens publicadas nesta sexta: Crianças holandesas são as menos obesas entre os países ricos: entenda Na Holanda, mercado de trabalho flexível permite que pais fiquem mais em casa Olha que legal: Holanda é o país com as crianças mais felizes do mundo Efeito da desnutrição nos fetos Em sua pesquisa, Tessa descobriu que os filhos e netos das mulheres que passaram pela fome durante a gravidez tiveram mais propensão a doenças crônicas como males cardíacos, pressão alta e diabetes. Ou seja, seres humanos tiveram contatos com esses problemas ainda no útero de suas mães. “Esperamos usar esses resultados para alertar sobre a importância dos chamados primeiros mil dias da criança, que vão da concepção até a idade de três anos”, declara ela. A cientista lembra que a primeira infância começa muito antes do nascimento _ como muita gente tende a acreditar _ quando os primeiros órgãos da criança se formam. Se o nascimento é um período marcante para o início da cognição, quando as conexões cerebrais começam a se dar e o órgão desenvolve mais do que em qualquer outro período da vida, é no útero que saúde do ser humano é formada, na opinião da pesquisadora. “A saúde de toda a vida da pessoa está ligada aos hábitos da mãe e do pai dela”, afirma. Campanha com o governo Tessa está em campanha junto ao Ministério da Saúde da Holanda para que as gestantes recebam as visitas das parteiras ou passem por exames pré-natais antes da 10 ou 12 semana de gestação, como é a regra – “porque nesta fase a maioria dos órgãos importantes já está formada ou em formação, pode ser tarde para conhecer qualquer complicação”. O primeiro ultrassom no sistema de saúde holandês só acontece por volta da 20 semana. "É uma das coisas que podem melhorar muito no sistema de saúde daqui. Nosso cuidado com as grávidas só começa depois disso. Eu acho que seria melhor que o cuidado começasse antes, mesmo antes da gravidez." Um dos fatores mais importantes, segundo ela, nesse período pré-concepção é a nutrição – mulheres que desejem engravidar devem, por exemplo, ser encorajadas a tomar ácido fólico. As dietas saudáveis são muito importantes, como também parar de fumar, de beber álcool. “Isso deve ser feito antes da mulher engravidar. O estilo de vida do homem, se ele fuma ou não, a dieta também influencia a saúde do feto. O homem também contribui para a saúde das crianças”, salienta a cientista, que alega desconhecer qualquer país do mundo em que essas políticas de saúde pré-concepção funcionem de forma eficaz dentro de um sistema público de saúde. “Mas estou feliz que mais e mais pessoas estão vendo o quão importante é o desenvolvimento da primeira vida. Mas há ainda muitas mudanças a serem feitas. Já se fala muito sobre o impacto econômico e cognitivo de se investir na primeira infância. Mas a saúde ainda é uma fronteira que as pessoas ainda não falam muito." A pesquisa dela foi iniciada há 20 anos. “foi muito interessante conhecer os impactos da má-nutrição sete décadas depois”. Ela ainda faz outro alerta: desnutrição é ruim para saúde, mas uma dieta excessivamente calórica também é. “Obesidade também é sinal de que as pessoas estão mal nutridas. E isso também provoca doenças crônicas, entre outras, já bastante estudadas pela ciência”, explica Tessa. Initial plugin text
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